quarta-feira, 14 de junho de 2017

Por que rejeitar Ellen White?


Desde que eu saí da Igreja Adventista do Sétimo Dia, me perguntaram o porquê de eu ter saído. Uma das respostas a essa pergunta é: Ellen White. Nem lendo “Caminho a Cristo” ou qualquer uma dessas “obras bonitinhas” eu fui convencido por ela. As razões para isso já foram expostas em outro texto, mas vamos aprofundar nelas.

Por que rejeitar Ellen White?


Ellen White e outros falsos profetas
Em 1911, Ellen White foi declarada como “a única interprete infalível de princípios Biblicos.” (G. A. Irwin, The Mark of the Beast, p. 1) Devemos crer nisso? Existe alguma razão plausível pra se seguir as interpretações de Ellen White como infalíveis?
Defensores de Ellen White vão argumentar que devemos crer que ela foi uma profetiza de Deus, já que ela teve pouco estudo e mesmo assim conseguiu influenciar um grande numero de pessoas e escrever muitas obras que influenciaram várias pessoas.
Esse argumento falha em diversos níveis. Em primeiro lugar, se nós fossemos considerar Ellen White como profetiza de Deus por causa disso, teríamos que considerar outros falsos profetas como profetas de Deus. Considere, por exemplo, Ann Lee, da seita The Shakers:

Como a Sra. White, “[Ann Lee] não teve estudo.” Ela se juntou a uma sociedade de membros os quais estavam tendo diversos exercícios religiosos, e então começou “a ter visões e fazer revelações,” as quais, assim como Sra. White, ela chamou de “testemunhos.” [...] Como a Sra. White, ela requeria “um tipo peculiar de vestido,” e “propôs guerra contra o uso do porco.” (D. M. Camright, The Life of Mrs. E. G. White: Her Claims Refuted, kindle pos. 89, 5%)

O mesmo comparativo pode ser feito com o argumento de que Ellen White escreveu sobre o comportamento moral e religioso. Ann Lee também escreveu com esse tom de moral elevada e religiosidade. Então, se o argumento funcionasse para Ellen White, também funcionaria para Ann Lee, de modo que os The Shakers também deveriam ser considerados como uma religião de Deus.
Poderiamos citar mais. Por exemplo, enquanto os Adventistas clamam que Ellen White é a profetiza infalível de Deus, os Mormons dizem o mesmo de Joseph Smith, os membros da Ciência Cristã dizem o mesmo da Sra. Eddy, as Testemunhas de Jeová o mesmo do “Pastor” Russell, etc. Todos eles têm o mesmo discurso sobre o seu líder, ainda assim, não podem estar todos certos. Todos têm argumentos para a defesa de seus profetas, ainda assim, não podem ser todos de Deus.
E esse é o problema com a violação de Sola Scriptura: Você nunca vai poder saber quem tem a “regra de fé infalível fora da Bíblia” correta. O problema das inúmeras denominações não é por causa de Sola Scriptura, mas sim por causa da violação de Sola Scriptura. Como diz James White:

A razão para haver uma pluralidade de denominações não é por causa de Sola Scriptura. É por não praticarem Sola Scriptura. E essas denominações que praticam Sola Scriptura são significamente mais unidas no que creem do que essas organizações que praticam o conceito de Escrituras com uma regra externa infalível de fé que te diz o que devem crer. Existe muito mais unanimidade entre nós que nos mantemos nas Escrituras do que aqueles que possuem alguma autoridade externa infalível. (Comentário feito durante o programa Dividing Line)

Ainda assim, Adventistas vão proclamar que Ellen White esta na lista dos 100 americanos mais significativos de todos os tempos e isso mostra a grandeza dela.  Porém uma pequena olhada na lista já mostra a falha desse argumento. Na parte de Figuras Religiosas, encontramos:

Joseph Smith Jr. (Mormonismo)
William Penn
Brigham Young (Mormonismo)
Roger Williams
Anne Hutchinson
Jonathan Edwards
L. Ron Hubbard (Scientology)
Ellen G. White (Adventismo)
Cotton Mather
Mary Baker Eddy (Ciência Cristã)
Billy Graham


Quase metade da lista é composta de hereges relacionados com seitas. Joseph Smith e Brigham Young foram politeístas que ensinaram que o homem pode se tornar um deus. Ron Hubbard ensinou doutrinas relacionadas ao espiritismo. Mary Baker Eddy foi a fundadora da Ciência Cristã.

Ellen White e seus plágios
Não é de se surpreender que Ellen White tenha conseguido escrever diversos livros teológicos e acertado algumas coisas. Existem diversas evidências de que ela copiou vários autores de sua época:


Dr. Charles Stewart também demonstrou um assombroso plágio de Ellen White em “seu” livro Sketches from the Life of Paul. No prefácio, é dito que “O Autor desde livro, tendo recebido ajuda especial do Espirito de Deus, foi capaz de dar luz com respeito aos ensinamentos de Paulo e sua aplicação para nosso tempo.” (Ellen G. White, Sketches from the Life of Paul, Prefácio, disponível em acesso 3 de junho de 2017)
Eu não sei de qual deus é esse espirito, mas certamente não é do Deus da Bíblia. Grande parte do livro de Ellen White foi copiado do livro Life and Epistles of the Apostle Paul, de Conybeare e Howson:

Ellen White Sketches from the life of Paul
Conybeare e Howson Life and Epistles of the Apostle Paul
Os juízes colocaram no ar, sobre os acentos numa rocha, na plataforma que ascendeu voando em passos de pedra do vale abaixo. (p. 92.3)
Os juízes colocaram no ar, sobre os acentos numa rocha, na plataforma que ascendeu voando em passos de pedra imediatamente do Agora (p. 308)
Sendo sua oratória um ataque direto sob seus deuses e aos grandes homens da cidade que estavam atrás dele, ele estava em perigo de ter o mesmo destino de Sócrates. (p. 97)
Tendo ele começado atacando seus deuses nacionais no meio de seus santuários, e com os Areopaganos nos acentos próximos à ele, ele quase esteve no mesmo grande perigo que Sócrates. (p. 310)
Apenas sua reverencia pelo templo salvou o apostolo de ser despedaçado. Com golpes e gritos violentos vindicando o triunfo, eles o levaram do gabinete sagrado. (p. 216)
Foi apenas a sua reverencia pelo Lugar Santo que o preservou de ser despedaçado. Eles o apressaram para sair do gabinete sagrado e o atacaram com golpes violentos. (p. 547)

A maior obra de Ellen White, O Grande Conflito, também foi uma obra de cópias:

Ellen White, O Grande Conflito (1887)
James Wyllie, The History of Protestantism (1876)
Zurique está agradavelmente situada às margens do Lago Zurique. Esta é uma nobre extensão de água, rodeada por bordas que se inclinam até acima, cobertas por vinhedos e bosques de pinho, no meio dos quais cintilam aldeias e brancas vilas entre árvores e colinas cultivadas que lhe dão variedade e beleza à paisagem, enquanto no horizonte distante se vêem o glaciar combinando-se com as nuvens douradas. À direita, a região está cercada pelas escarpadas muralhas dos Alpes Brancos, mas as montanhas retrocedem da orla e, permitindo que a luz caia livremente sobre o regaço do lago e sobre a ampla curva de suas encantadoras e férteis margens, dão à paisagem uma beleza que não poderia igualar nem a pluma nem o pincel do artista. O vizinho lago de Zug tem um marcado contraste com o de Zurique. Suas plácidas águas e tranqüilas margens parecem estar perpetuamente envoltas nas sombras. (p. 176, Ms29-1887.76, disponível em: https://egwwritings.org/?ref=en_Ms29-1887.76&para=4157.169)
Zurique está agradavelmente situada sobre as margens do lago com esse nome. Esta é uma nobre expansão de água, rodeada por bordas que se inclinam suavemente até acima, cobertas aqui por vinhedos e ali por bosques de pinho, dentre os quais aldeias e brancas vilas cintilam e animam o cenário, enquanto no horizonte distante se vêem o glaciar se combinando com as nuvens douradas. À direita, a região está cercada pelas escarpadas muralhas dos Alpes Brancos, mas as montanhas retrocedem da orla e, permitindo que a luz caia livremente sobre o regaço do lago e sobre a ampla curva de suas encantadoras e férteis margens, dão uma frescura e uma espaciosidade à cena que se vê desde a cidade, que contrasta notavelmente com o vizinho Lago de Zug, no qual as plácidas águas e a tranqüila margem parecem estar perpetuamente envoltas nas sombras das grandes montanhas. (p. 435-436, disponível em: https://archive.org/stream/
historyofprotest01wyli#page/
436/mode/2up/search/golden+clouds

O plágio de Ellen White é tão grande em O Grande Conflito, que o historiador adventista Donald R. McAdams admite:

As partes históricas de O Grande Conflito que eu examinei são resumos seletivos e adaptações de historiadores. Ellen White não estava apenas roubando parágrafos aqui e ali, os quais ela encontrou em suas leituras, mas de fato seguindo os historiadores página após página, deixando de fora muito material, mas usando sua sequencia, alguma de suas ideias, e normalmente suas palavras. Nos exemplos que eu examinei, eu não encontrei nenhum fato histórico em seu texto que não estivesse no texto deles. Os manuscritos sobre John Huss seguem o historiador de forma tão próxima que eles parecem que não foram ao estágio intermediário, mas na verdade das paginas impressas do historiador aos manuscritos da Sra White, incluindo os erros históricos e as exortações morais.
(Donald R. McAdams, “Shifting Views of Inspiration: Ellen G. White Studies in the 1970s,” Spectrum, Mar. 1980, p. 34, disponível em: https://archive.org/stream/DonaldR.McadamsShiftingViewsOfInspirationEllenWhiteStudiesInThe/1980_mcadams_shiftingViewsOfInspiration_ellenWhiteStudiesInThe1970s_spectrum_v10_n4_27-41#page/n7/mode/2up)

Defensores do Adventismo vão argumentar que Lucas, em sua biografia de Jesus, também teve outras fontes. E isso é verdade. Porém, Ellen White estava escrevendo instruções e profecias. Lucas estava escrevendo uma biografia. Ele precisava de outras fontes.
Ainda podem citar o livro de Provérbios, que é uma coleção de provérbios da época de Salomão. Porém, é extremamente diferente um autor juntar provérbios para a sabedoria de um autor copiar informações teológicas de outros livros. Juntar bons conselhos é bem diferente copiar vários autores dizendo ter tido revelação de Deus.
Uma outra resposta que dão é a de que na época não era necessário colocar a fonte nas citações. O que devemos questionar aqui é: É válido uma profetisa de Deus roubar material dos outros e não dar os créditos? Ou ainda: Seriam essas citações? Note que existem palavras adicionadas, frases e sinônimos nos parágrafos copiados. Porém, citações são feitas de forma direta e sem alteração.
A última defesa que eu estou ciente, é a de que é plausível que Deus tenha dado essas visões a Ellen White antes da obra copiada, mas que apenas depois disso ela escreveu a sua. Tal defesa é completamente ad hoc (faz especulações adicionais desnecessárias) e é evidente que é um salto de desespero daqueles que não querem largar a fantasia. 

Ellen White e seus erros proféticos 
Devemos também enfatizar o que Ellen White errou. Em primeiro lugar, vejamos essa profecia que não se cumpriu e nem se cumprirá por razões óbvias:

Foi-me mostrado o grupo presente na conferência. Disse o anjo: ‘Alguns serão comida para os vermes, alguns estarão sujeitos às sete últimas pragas, alguns estarão vivos e permanecerão na Terra para serem trasladados na vinda de Jesus. (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. 131 e 132)

Todos já morreram. Em resposta a essa óbvia falha, defensores de Ellen White citam a profecia de Jonas, dizendo que ele afirmou que Nínive seria destruída em 40 dias, porém não foi. Eles então apelam ao conceito de profecia condicional explicada em Jeremias 18, que diz que se o povo se arrepender, Deus não destruirá da forma que Ele disse. Leandro Quadros, por exemplo, diz:

Se Ellen White errou, então o personagem bíblico Jonas também foi um falso profeta, pois ele afirmou categoricamente que em 40 dias Nínive seria destruída. E isso não ocorreu! Será que Deus falhou? [...] Profecias condicionais são aquelas que dependem da resposta humana para o seu cumprimento. [...] Profecias incondicionais são aquelas que não dependem da resposta humana para o seu cumprimento. A Volta de Jesus é uma delas. Ele virá, mesmo que o ser humano não queira. (Na Mira da Verdade, Ellen White, a profetisa que NÃO falhou, http://novotempo.com/namiradaverdade/ellen-g-white-%E2%80%93-a-profetisa-que-nao-falhou-parte-1/)

Porém, a Bíblia Apologética com Apócrifos responde a esse argumento dizendo:

Jonas não se enganou, antes, disse aos ninivitas exatamente aquilo que Deus lhe ordenara (3.1-4). Diante disso, será que tais argumentadores podem acusar Deus de erro? A proclamação de julgamento estava condicionada à intransigência de Nínive (4.2), o que é bem esclarecido em Jeremias 18.7,8: “Se ta tal nação, porém, conta a qual falar se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pesava fazer-lhe”. Principio claramente demonstrado no caso de Nínive, de modo que a profecia de Jonas jamais deveria ser citada para diminuir a responsabilidade daqueles que fazem previsões que não se cumprem.
Por outro lado, as profecias proclamadas por tais seitas “proféticas” não foram condicionais. Ao contrario, apregoavam seu prognóstico como sendo a expressa Palavra ou vontade de Deus. Mas todas elas falharam. (Bíblia Apologética com Apócrifos, comentário em Jonas 3:4-10; 4:1-2, p. 823)

Note que, na previsão de Ellen White, nenhuma condição ou explicação é mencionada antes, durante ou depois. Além disso, sua previsão tem relação com a volta de Cristo. Porém, de acordo com Leandro Quadros acima, a volta de Cristo é uma profecia incondicional. Estaria Leandro Quadros disposto a argumentar que a volta de Cristo foi adiada por causa da vontade humana simplesmente para proteger sua profetisa? Ela própria rebate a desculpa de Leandro Quadros quando diz que a data da volta não será modificada:

Tenho visto que o diagrama de 1843 foi dirigido pela mão do Senhor, e que ele não deve ser alterado; que as figurações eram o que Ele desejava que fossem, e que Sua mão estava presente e ocultou um engano em alguma figuração, de maneira que ninguém pudesse vê-lo, até que Sua mão fosse removida. (Primeiros Escritos, p. 75)

Viram que o período profético chegava a 1844, e que a mesma prova que haviam apresentado para mostrar que o mesmo terminava em 1843, demonstrava terminar em 1844. (idem, p. 236)

Ironicamente, ela mesma se condenou:

Pessoa alguma que fixe o tempo em que Cristo deva vir ou não vir, tem mensagem verdadeira. Estai certos de que Deus não dá nenhuma autoridade de dizer que Cristo retarda Sua vinda cinco anos, dez anos, ou vinte anos. (Mensagens Escolhidas, vol. 2, p. 114)

Os que tão presunçosamente pregam um tempo definido, assim fazendo agradam ao adversário das almas; pois promovem a incredulidade, e não o cristianismo. Citam passagens da Escritura, e mediante falsa interpretação mostram uma cadeia de argumentos que aparentemente lhes apóiam a posição. Mas seus fracassos mostram que são falsos profetas, que não interpretam devidamente a linguagem da inspiração. (Testemunhos para a Igreja, p. 307)

O falecido Natanael Rinaldi respondeu a Leandro Quadros também, dizendo:

Sofisma, Leandro! Querendo defender sua falsa profetisa prefere acusar a Bíblia e dizer que a profecia de Jonas poderia ser considerada uma falsa profecia e que as profecias de EGW seriam desse tipo – condicionais. Mas, quanto à Bíblia, há provas descritas na Bíblia que relatam a conversão dos ninivitas. E que houve no caso de EGW em 1856? Se houvesse a aceitação da sua profecia, Jesus teria apressado a sua vinda, que não ocorreu. Lamentável, lamentável, amigo Leandro.
Repito o que disse a meu respeito: que não conheço bem os escritos de EGW. Não seria V. S. que anda desatento quando lê o que ela escreveu sobre o assunto?
Como alegar que a profecia de 1856 apressaria a volta de Jesus, mas que tal não se deu por culpa do povo se EGW escreveu,
“Mas, como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança.” (O Desejado de Todas as Nações, p. 28, edição 1979).
(CACP, Pr. Natanael Rinaldi (Apologista Cristão) X Leandro S. Quadros (IASD), http://www.cacp.org.br/pr-natanael-rinaldi-apologista-cristao-x-leandro-s-quadros-iasd/)


Ellen White e suas contradições com a Bíblia
Ellen White também contradiz a Bíblia diversas vezes:

Quedorlaomer, rei de Elão, tinha invadido Canaã catorze anos antes, e a tornara sua tributária. Vários dos príncipes revoltaram-se agora, e o rei elamita, com quatro aliados, de novo marchou contra o país para os reduzir à submissão. (Patriarcas e Profetas, p. 105, http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Patriarcas%20e%20Profetas.pdf)

A Bíblia, porém, diz:

Então saiu o rei de Sodoma, e o rei de Gomorra, e o rei de Admá, e o rei de Zeboim, e o rei de Belá (esta é Zoar), e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim,
Contra Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, e Anrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco. - Gênesis 14:8,9

Ellen White diz que Quedorlaomer tinha quatro aliados. A Bíblia deixa claro que Quedorlaomer tinha três aliados: Tidal, Anrafel e Arioque.
Ela também contradiz Gênesis e a pouca história de Enoque:

Deus determinou a purificação do mundo pelo dilúvio; mas em misericórdia e amor Ele deu aos pré-diluvianos uma espera de cento e vinte anos. Durante esse tempo, enquanto a arca estava sendo construída, as vozes de Noé, Enoque e muitos outros foram ouvidas como alertas e suplicas. (Ellen White, Australasian Union Conference Record, Sep. 15, 1902)

Sobre Enoque, ela também diz: “O arrebatamento de Enoque ao Céu logo antes da destruição do mundo pelo dilúvio, representa o arrebatamento de todo ser vivo justo da terra antes de sua destruição pelo fogo.” (Ellen White, Spiritual Gifts, vol. 3, p. 59)
E ainda: “Enoque primeiro recebeu instruções de Noé, e ele observou a lei de Deus...” (Ellen White, Review and Herald, Apr. 29, 1875)
O grande problema aqui é que Enoque foi levado aos céus antes de Lameque (seu neto) ter Noé, e muitos anos antes da arca começar a ser construída (Gênesis 5:21-29). Será mesmo que Ellen White viu Enoque em alguma visão?
Ela também pode ser considerara uma grande herege por ir contra a instrução do livro de Apocalipse. Veja o que ela escreveu: “A reforma da saúde, me foi mostrado, é parte da mensagem do terceiro anjo e esta tão conectada com ela quanto o braço e a mão no corpo humano.” (E.G.W., 1 Testimonies, p. 486)
Agora, isso não esta em parte alguma da mensagem do Terceiro Anjo em Apocalipse. Veja:

E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão,
Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.
Apocalipse 14:9,10

Por que eu digo que é heresia? E por que nessa parte especifica, se ela adicionou mais mil e uma coisas que não estão na Bíblia? Simples: Porque isso é uma adição ao livro do Apocalipse:

Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro
Apocalipse 22:18

De fato, todas as suas principais visões são adições às profecias de Apocalipse.
Não apenas ela contradiz a Bíblia, como também a si mesma: “Miguel, ou Cristo, com os anjos que sepultaram Moisés, desceram do Céu, depois de ter ele permanecido na sepultura um breve tempo, ressuscitaram-no e o levaram para o Céu.” (História Da Redenção, p. 173)
Vemos que ela identifica Cristo como Arcanjo Miguel, o anjo chefe. Agora, devemos nos perguntar se ela quer dizer se só existe um Arcanjo, que é Jesus, ou se há outros em igual posição a Jesus. Ela diz:

Anjos e arcanjos se maravilham em face desse grande plano da redenção; eles admiram e amam o Pai e o Filho ao contemplarem a misericórdia e o amor de Deus; não há sentimento de ciúmes ao ser esse novo templo, renovado à imagem de Cristo, apresentado em sua beleza, para ficar junto ao trono de Deus. — Carta 31, 1892 (Online em EGW Writings, Filhos e Filhas de Deus, http://m.egwwritings.org/pt/book/1732.2043#2043 enfase minha)

Mas existem mais contradições dela com ela mesma:

A serpente apanhou o fruto da árvore proibida e colocou-o nas mãos de Eva, que estava meio relutante. Fê-la então lembrar-se de suas próprias palavras de que Deus lhes proibira tocar nele, para que não morressem. Não receberiam maior mal comendo o fruto, declarou ele, do que nele tocando. Não percebendo maus resultados do que fizera, Eva ficou mais ousada. Quando viu “que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu.” (Patriarcas e Profetas, p. 27, disponível em https://egwwritings.org/?ref=pt_PP.27.2&para=1815.172)

Foi a serpente que pegou a fruta e deu à Eva ou foi Eva que pegou da arvore para comer? Apesar da contradição clara, pode ser respondido que Eva tomou do fruto que já estava em suas mãos para comer. (O que não faz o menor sentido, mas enfim...)
Podemos responder utilizando o texto original em inglês, que não faz diferenciação entre as palavras “apanhou” e “tomou”:

The serpent plucked the fruit of the forbidden tree, and placed it in the hands of the half-reluctant Eve [...] Without a fear she plucked and ate. 

Plucked significa "arrancar", "colher".
Ela também se contradiz nos dois seguintes textos:

Os israelitas já se haviam tornado muito numerosos; “frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles”. Sob o cuidado amparador de José, e o favor do rei que então governava, tinham-se eles espalhado rapidamente pelo país. Mas haviam-se conservado como uma raça distinta, nada tendo em comum com os egípcios, nos costumes, ou na religião. (ibid, p. 168, disponível em https://egwwritings.org/?ref=pt_PP.168.4&para=1815.974)

Um capítulo depois ela escreveu:


Mas aqueles que eram fiéis a Deus compreendiam que fora por causa de Israel haver-se afastado dEle — por causa de sua disposição para casar com nações gentílicas, sendo assim levados à idolatria — que o Senhor permitira ficassem escravos. (ibid, p. 181, disponível em https://egwwritings.org/?ref=pt_PP.181.2&para=1815.1052)

Há ainda mais contradições de Ellen White. Dessa vez, com a história. Em especial, uma sobre o próprio sábado:

Na arca estava a urna de ouro contendo o maná, a vara de Arão que florescera e as tábuas de pedra que se fechavam como um livro. Jesus abriu-as, e eu vi os Dez Mandamentos nelas escritos com o dedo de Deus. Numa das tábuas havia quatro mandamentos e na outra seis. Os quatro da primeira tábua eram mais brilhantes que os seis da outra. Mas o quarto, o mandamento do sábado, brilhava mais que os outros; pois o sábado foi separado para ser guardado em honra do santo nome de Deus. O santo sábado tinha aparência gloriosa — um halo de glória o circundava. Vi que o mandamento do sábado não fora pregado na cruz. Se tivesse sido, os outros nove mandamentos também o teriam, e estaríamos na liberdade de transgredi-los a todos, bem como o quarto mandamento. Vi que Deus não havia mudado o sábado, pois Ele jamais muda. Mas o papa tinha-o mudado do sétimo para o primeiro dia da semana; pois ele devia mudar os tempos e as leis. (Ellen White, Primeiros Escritos, 32.3, disponível em https://egwwritings.org/?ref=pt_PE.32.3&para=1957.307; também em The Review and Herald, 21 Julho de 1851, disponível em acesso 1 de junho de 2017)

Na primeira parte do século IV, o imperador Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano. O dia do Sol era venerado por seus súditos pagãos e honrado pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo. (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 53)

O Papa não mudou nada. Existe um grande numero de evidências dos primeiros Pais da Igreja, muito antes de Constantino, que dizem que os cristãos do primeiro e do segundo século já festejavam no domingo:

“Mas em todo Dia do Senhor [...] se juntem e partam o pão, e dêem graças após confessarem suas transgressões, que o vosso sacrifício possa ser puro.” [Didaquê 14]

“Nós guardamos o oitavo dia com alegria, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos” [Carta de Pseudo-Barnabé 15:6-8 escrita entre 100 e 135 d.C.]

"E no dia chamado Domingo todos que vivem em cidades ou no pais se juntam em um único lugar, e a memória dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos [...] Mas o Domingo é o dia em que nós nos reunimos, porque é o primeiro dia da semana em que Deus [...] fez o mundo; e Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou." [Justin Martyr, 145-150 d.C.]

“Os apóstolos então mostraram: no primeiro dia da semana que haja serviço, e leitura das Escrituras Sagradas, e a oferta, porque no primeiro dia da semana nosso Deus ressuscitou dos mortos, e no primeiro dia da semana ele levantou ao mundo, e no primeiro dia da semana ele subiu aos céus, e no primeiro dia da semana ele vai aparecer finalmente com os anjos dos céus. [A Didascalia 2 escrito em 225 d.C.]

“Por isso, não é possível que o [dia de] descanso depois do sábado deveria ter entrado em vigor a partir do sétimo [dia] do nosso Deus. Pelo contrário, é nosso Salvador que, após o padrão de seu próprio repouso, causou-nos a ser feito à semelhança da sua morte, e, portanto, também de sua ressurreição.” [Orígenes, em 229 d.C.]

Inácio de Antioquia era discípulo de João e disse:

"Não sejam enganados por falsas doutrinas, nem por fabulas mentirosas, que são corruptíveis. Pois se nós ainda vivemos de acordo com a Lei Judaica, nós reconhecemos que não recebemos a graça [...] Se, portanto, aqueles que foram trazidos da antiga ordem para possuir a nova esperança, sem continuar a observância do Sábado, mas vivendo na observância do Dia do Senhor [kyriake hemera], em que nossa vida também ressurgiu nEle e por Sua morte. [Carta de Inácio de Antioquia aos Magnésios 8 escrita em 107 d.C.]

As palavras usadas por Inácio para “Dia do Senhor” são “kyriake hemera”. As mesmas usadas por João em Apocalipse:

Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor [kyriake hemera], e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta
Apocalipse 1:10

Samuelle Bacchiocchi foi um dos estudiosos Adventistas mais focados no assunto. Ele realmente buscou na história uma outra possível origem para o domingo. Ainda assim, como demonstramos, ele falhou nesse aspecto. Mas a questão central aqui é: Por que Ellen White errou sobre a origem do domingo se ela, como profetiza inspirada por Deus, deveria defender a guarda do sábado? Em um tópico tão importante, não deveríamos esperar que Deus a guiasse em sua defesa? Ainda assim, ela falhou miseravelmente, assim como todos os falsos profetas.

Conclusão
Vimos um bom numero de motivos para rejeitar Ellen White como profetiza de Deus. Vimos também que, em geral, as respostas dadas pelos adventistas à esses argumentos são simples desculpas. Contrário ao que pessoas como Leandro Quadros dizem, nós não ignoramos as respostas deles. Sites como Former Adventist Fellowship, Sabbatismos, Truth orFables, entre outros focam em combater os ensinamentos doutrinários da Sra. White. Vale a pena fazer uma visita.


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