terça-feira, 20 de setembro de 2016

Verdade, perspectivas diferentes, linguagem e epistemologia

"Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade"
-Marcus Aurelius
Será que isso é só a opinião de Marcus Aurelius ou é um fato? 

Quando você nega a realidade, ela quebra sua cara. Quando você não tem dinheiro pra pagar a conta, não importa o quanto acredite que tem dinheiro, a realidade te soca no estomago. Se você é magro, mas pensa que é gordo, você esta errado. Se você pensa que a realidade é relativa de acordo com a opinião, a pergunta que se mantem é se essa é a realidade objetiva.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A Crítica de Kant à Anselmo: Pode a Existência ser um Predicado?


Por Randy Everist

Uma das críticas mais famosas (e supostamente devastadora) ao argumento ontológico de Anselmo vem de Immanuel Kant. É praticamente indiscutível para quem menciona o argumento. Podemos ouvir essa crítica até mesmo na Internet. Em praticamente toda instancia em que eu encontrei essa objeção, uma explicação nunca foi apresentada. Qual é essa crítica, e o que ela significa?
Kant afirmou que “a existência não é um predicado”. Para ilustrar o que isso significa, considere uma maçã (ou um cavalo, um lápis, ou qualquer outro objeto). Podemos descreve-la como sendo “vermelha”, e “doce” e muitas outras coisas. Tudo isso esta na posição de predicado em uma sentença. Eles se traduzem em propriedades do objeto como ser vermelho ou ser doce. Kant mantinha que para algo contar como uma propriedade, esse algo tinha que nos dizer algo sobre o objeto ao qual adicionou a descrição. O argumento de Kant é que duas maçãs vão ser idênticas onde elas tiverem todas as mesmas propriedades, mesmo se nós estipularmos que uma delas exista. Se isso estiver correto, então a existência não é uma propriedade. Mas se a existência não é uma propriedade, então Anselmo não pode estar correto quando ele diz que é maior para Deus existir na realidade do que meramente no intelecto (já que a diferença entre ambos seria apenas a existência). Então, estaria Kant correto?
Parece que há boas razões para duvidar que ele esteja. Primeiro, Stephen T. Davis apontou que coisas que realmente existem possuem propriedades, pela virtude de sua existência (apesar de serem acidentais), que elas não teriam se não existissem. [1] Por exemplo, o conceito de cem dólares não possui a propriedade acidental de ter poder de compra no mundo real. [2] Então, há, ou pelo menos pode haver, diferenças relevantes entre conceitos idênticos trazidos pela existência. Portanto, a existência, em pelo menos alguns casos, adiciona algo ao conceito.
Segundo, Davis da o exemplo de um chanceler perfeito. [3] A ideia pode ser extrapolada para uma pessoa perfeita, ou governante perfeito, ou outra coisa perfeita. Pegue duas pessoas conceituais as quais possuam esse perfeito X. Suponha que uma pessoa, A, satisfaça todos os critérios de ser um perfeito X. Porém, A é um personagem fictício em uma história. B tem uma lista idêntica de atributos, mas no final, vive em no noroeste de Montana. Qual o sentido em se dizer que não há diferença entre A fictício e B realmente-existente? Mas então se segue que a existência pode ser uma propriedade ou predicado real.
“Mas espere!” eu ouço o oponente dizer. “Isso não mostra que o conceito de Deus é tal conceito que permita o predicado de existência!” Talvez, talvez não. Porém, ao menos, foi demonstrado que a existência pode funcionar em algumas instancias como um predicado, de forma que duvidas à crítica de Kant foram levantadas. Não será mais o bastante meramente citar Kant. Terá que ser demonstrado que o conceito de Deus é tal que existência não pode ser predicada propriamente dele.
Muitos abandonaram a formulação de Anselmo do argumento por causa dessa crítica. Eu não vejo motivo para faze-lo. Enquanto há outros argumentos ontológicos que eu prefira (como o argumento ontológico modal de Plantinga), a crítica de Kant não danifica o de Anselmo tanto quanto muita gente pensa.

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[1] Stephen T. Davis, God, Reason, and Theistic Proofs (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing, 1997), 35.

[2] Simplesmente não importa que os cem dólares conceituais possuem a propriedade contra-factual de ter o poder de compra no mundo real, onde nós diríamos “Se esses cem dólares fossem reais, então eles iriam possuir a propriedade de ter poder de compra no mundo real”. Isso porque, qualquer que seja o fundamento de propriedades contra-factuais, ainda assim permanece que o conceito, de fato, não possui essa propriedade real.


[3] Davis, 35.

Traduzido de: Christian Apologetics Alliance, Kant's Critique of Anselm: Can Existence be a Predicate?, http://christianapologeticsalliance.com/2013/04/23/kants-critique-of-anselm-can-existence-be-a-predicate/

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

P&R #2 - Cristãos cometem a "falácia do escocês de verdade"?


Olá, Felipe.

Tenho estudado sobre falácias lógicas recentemente e isso me travou num dilema.
Dizer "Se fez isso não é cristão de verdade", "Cristão não faz isso", "Cristão não faz aquilo", "Quem faz/fez isso não é Cristão!", etc, não seria cometer a "falácia do escocês de verdade"? Como penso que sim, já que não encontro outra escapatória lógica, como fugir dessa falácia? Como apontar os reais frutos do Cristianismo visto que, aparentemente, não há como fazer isso sem recorrer a essa falácia lógica?
Vejo muitos irmãos utilizando dessa falácia, e queria saber se tem um jeito de corrigí-los, sem tirar a essência do que realmente querem dizer.


A Paz do Senhor Jesus.

Atenciosamente,
Yasmin

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O texto bíblico mais mal interpretado... Por céticos.


Muita gente (muita mesmo) acha que Cristãos são hipócritas por não “venderem tudo o que tem e dar aos pobres.” Usam como base o texto de Lucas 18:22 (Marcos 10:21 e Mateus 19:21) para dizer que os cristãos devem fazer isso, já que Jesus ordenou que o jovem rico fizesse. Ainda acusam cristãos de interpretar esse versículo como metafórico, e não literal, já que interpretá-lo literalmente seria “inconveniente”. E então? Cristãos estão sendo hipócritas e escondendo os fatos ordenados na Bíblia?
A verdade é simples e direta: Não. E não só o texto é literal, como também é mais literal do que as pessoas estão imaginando. Porém, ele tem seu significado escondido, e qualquer exegese do texto vai dizer o mesmo. (Esse texto também não da suporte ao socialismo "cristão", by the way.)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Por que a Teoria da Correspondência da Verdade é Superior


Esse quadrinho não esta no post original, mas hey... Ilustra bem.

Por que a Teoria da Correspondência da Verdade é Superior

Por Nate Sala

Cristãos creem em uma interpretação da realidade conhecida como Teoria da Correspondência da Verdade. Falando plenamente, a teoria propõe que um pensamento ou crença é verdadeiro se ele estiver de acordo com a forma que as coisas são na realidade. Verdade não é, por si só, um objeto que existe na realidade; ao invés disso é uma relação entre duas coisas. Então, por exemplo, quando alguém vê duas casas e diz, “uma casa é maior do que a outra”, então a frase maior que descreve a relação entre ambas as casas da mesma forma que a verdade descreve uma relação entre meu pensamento de que o céu é azul e o céu ser realmente azul. Muitos outros escritores já falaram nessa definição, então, pelo propósito deste post, eu vou ir adiante. Para mais sobre a Teoria da Correspondência da Verdade veja Filosofia e Cosmovisão Cristã ou clique aqui.
Existe outra visão de verdade que recentemente se tornou moda como os bigodes hipsters ou colocar sua comida no Instagram. Essa nova interpretação, conhecida como Pós-modernismo, essencialmente diz que, se um grupo social crê em alguma coisa, então é verdade e, se eles não crerem, então não é verdade. Pós-modernismo troca a noção realista de que há tal coisa como a verdade que é verdade para todo mundo. Por isso a maior parte dos relativistas por ai fazem afirmações como, “Não há verdade”, ou “Isso é verdade pra você mas não pra mim”. Claro, essa ultima frase funciona se vocês estiverem falando sobre filmes favoritos, mas quando discutindo a realidade objetiva (como se falassem se muito açúcar realmente te torna diabético) isso se torna bem problemático.
A tarefa de decidir qual visão de verdade é superior realmente não é difícil quando nos focamos nos problemas de ambas as teorias. Primeiro, a Teoria da Correspondência da Verdade se mantêm a partir de um exame cuidadoso de experimentar a realidade. Por exemplo, vamos dizer que Gary recebeu um telefonema de uma enfermeira informando-o de que seu irmão, Pete, esta no hospital. Nesse ponto, Gary agora cre que Pete esta no hospital. Então, Gary entra em seu carro e vai até a sala de emergência. Quando chega la, Gary vê que, de fato, Pete esta no hospital sendo tratado de ferimentos de um acidente de carro. Agora Gary sabe que sua crença de que Pete estava no hospital é verdadeira porque sua crença esta de acordo com a realidade.
Pós-modernismo, por outro lado, fica com a noção de que a verdade é construída por grupos sociais que compartilham uma narrativa e, portanto, é apenas um reflexo de uma pratica linguística particular da comunidade. E, já que a verdade é meramente a criação de uma narrativa particular de uma comunidade, então (continuando com a analogia de uma forma ligeiramente desajeitada) se todo mundo na comunidade crê que Pete esta no hospital, então isso é verdade. Mas, se ninguém concordar que Pete esta no hospital, então não é verdade.
O problema com essa visão é que Pete realmente poderia estar no hospital independente de se todo mundo na comunidade decidiu que ele não estava. Então, o exercício pós-moderno revela-se negando características da realidade que necessariamente existem separadas de nossas crenças. Claro, a tentativa do Pós-modernismo de dizer a verdade como nada mais que uma construção da linguagem interpretada subjetivamente deve depender da Teoria da Correspondência da Verdade para funcionar. E esse fato sozinho age como uma bomba relógio construída no próprio sistema. Quer dizer, para que a visão da realidade pós-modernista seja verdade, ela deve estar de acordo com como as coisas são na realidade. Outra forma de dizer isso é: A visão Pós-moderna da verdade é verdade apenas se a Teoria da Correspondência da Verdade for verdadeira.
E aí reside a superioridade da Teoria da Correspondência da Verdade.


Traduzido de: A Clear Lens, “Why the Correspondence Theory of Truth is Superior”, https://clearlens.org/2013/03/23/why-the-correspondence-theory-of-truth-is-superior/

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O Ceticismo de Hume e o Agnosticismo de Kant


Retirado do livro Não tenho fé suficiente para ser ateu, de Norman Geisler e Frank Turek.

O CETICISMO DE HUME: DEVEMOS SER CÉTICOS EM RELAÇÃO A ELE?


Talvez mais do que qualquer outra pessoa, David Hume é o responsável pelo ceticismo comum hoje. Como empirista, Hume acreditava que todas as idéias significativas ou eram verdadeiras por definição ou deveriam estar baseadas numa experiência sensorial. De acordo com Hume, não existe experiência sensorial para conceitos que estejam além do físico e não se deve acreditar em nenhuma afirmação metafísica (aqueles conceitos que estão além do físico, incluindo Deus), pois elas são sem sentido. De fato, Hume afirmou que as proposições só podem ter sentido se satisfizerem uma das duas condições a seguir:
·A afirmação verdadeira é um raciocínio abstrato como uma equação matemática ou uma definição (e.g., "2 + 2 = 4" ou "todos os triângulos têm três lados"); ou
·A afirmação verdadeira pode ser verificada empiricamente por meio de um ou mais dos cinco sentidos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Ressurreição de Jesus #Final - O Que Explica Melhor as Evidências?

Fonte: http://www.radiorainhadapaz.com.br/index.php/noticias/evangelizacao/formacao/25610-04-04-ele-nao-esta-aqui-ressuscitou

Ao longo da série, vimos quatro fatos que são aceitos pela gigantesca maioria de historiadores e críticos do Novo Testamento que servem de evidência para a ressurreição de Jesus. Esses fatos são: Sua crucificação, a tumba vazia, as aparições pós-morte e a origem da fé dos discípulos. Hoje, vamos avaliar a hipótese da ressurreição e recapitular o porque de outras hipóteses falham em explicar a evidência.