quinta-feira, 30 de março de 2017

Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche


Por Caio Peclat da Silva Paula

Em defesa dos valores - uma crítica a Nietzsche


Um tema que "está na moda" nos últimos anos é a imoralidade, mesmo que esta venha a ser chamada por nomes como: inversão de valores ou, até mesmo, degradação dos valores.  Em ambos os nomes, estamos diante de uma - pelo menos - aparente troca de algumas construções morais por outras.
Um crítico da moral - que gostava de ser chamado de imoralista - foi o alemão F. W. Nietzsche. Este, em alguns de seus textos - como "Genealogia da moral", "Humano, demasiado humano", "Além do bem e do mal" e etc - demonstra que a moral é uma barreira nascida da fraqueza humana e que deve ser superada.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta


Por Caio Peclat da Silva Paula

Como um Deus totalmente bondoso permitiria o sofrimento? – Uma Resposta

É sempre lembrada, entre os filósofos, a fase em que a criança levanta inúmeros questionamentos, a chamada fase dos porquês. É, em regra, assim que os filósofos se veem – como crianças que perguntam o porquê das coisas. Entretanto, mais importante que o questionamento é desejar ouvir – ou encontrar – a resposta. É aqui que há a separação entre bons e maus filósofos. Sinto que devo contar a vocês uma pequena história que me fez questionar a mim mesmo se quero verdadeiramente ouvir a resposta:

Era feriado numa cidade da Europa, mas não era mais um feriado, era um feriado religioso que movimentava todos os habitantes daquela cidade. Naquele dia, as igrejas estavam lotadas, e quando ninguém esperava, houve um terremoto. Como todos sabem, quando há um tremor de terra as primeiras construções a caírem são as mais altas. Justamente as igrejas.

Talvez, assim como eu, você esteja se sentindo tal como uma criança – perguntando: Por quê? Mas será que você quer ouvir a resposta? Será que você conseguirá entender a resposta? Será mesmo que existe uma resposta? Acredito que estas são perguntas secundárias e devemos nos preocupar – neste momento - com a questão principal, que é: Como um Deus totalmente bondoso e todo-poderoso permite o sofrimento? Será que Ele é realmente bondoso? Ou que Ele não tem todo poder? Ou, talvez, Ele nem mesmo exista?
Os teóricos irão classificar o mal (sofrimento) em dois tipos:

·         Mal moral/espiritual (Ex.: Maldade Humana):

O primeiro, para Kreeft e Tacelli, tem por natureza o pecado, que nos separa de Deus e a origem do mesmo é o livre-arbítrio humano. Se você for inteligente, perceberá que se Deus nos tirasse o livre-arbítrio, estaria acabando com o mal espiritual. Mas por que Ele não acaba com o nosso livre-arbítrio? Certamente Deus possui um motivo muito especial para mantê-lo. Vou explicar:
Imagine que um cachorro acaba de morder João. O cachorro agiu de forma má? Certamente não, pois um cachorro só sabe ser cachorro, ele não poderia agir de forma diversa. Agora pense que quem morde João foi um homem. O homem foi mau? Sim. O homem por possuir o livre-arbítrio poderia agir de forma diversa. Mas é o mesmo livre-arbítrio que faz o homem ser bom, sem o livre-arbítrio o homem não seria mau nem bom. Deus somente permite o livre-arbítrio para que haja a possibilidade do homem ser bom, mesmo podendo escolher ser mau.

·         Mal natural/físico (Ex.: Doenças, Terremotos):

Agora que respondemos uma parte do problema, só nos falta solucionarmos a outra metade, mas para isso é necessário entender alguns conceitos:
N. T. Wright denuncia dois erros no que se trata do problema do mal:

·         Dualismo ontológico – Onde o sujeito acredita que o mundo é mal e é necessário fugir;
·         Dualismo sociológico- Onde existem duas classes de pessoas: Nós (os bons) e eles (os maus).

O erro destas duas visões é retirar a si mesmo do problema. É acreditar que você mesmo não é, também, responsável pelo mal do mundo. Por isso o referido autor entende que é nossa responsabilidade acabar com o nosso mal (aquele que você produz) no mundo através do perdão. Quando Jesus diz na oração do Pai nosso: “E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal [...]” (Mateus 6:13a) Ele pede para nos livrar do mal que nós mesmos podemos cometer. E é por isso que o problema do mal não diz respeito, somente, a guerras e pestes, mas também à humilhação que Jorge passou e a mentira que Jonas contou, este problema tem a ver com você, nós somos parte do problema. Alguns autores dirão que a causa de terremotos, doenças e outros males físicos são: Castigo pelo pecado humano e instrumento de aperfeiçoamento espiritual.
Veremos agora algumas tentativas, chamadas de teodiceias, de explicar o problema do mal:

Platão

Em Platão não somos essencialmente este monte de coisas visíveis, mas uma alma, um espírito, uma personalidade, um caráter. Assim, quando alguém faz mal ao meu corpo, tenho a opção de me vingar ou perdoar, neste sentido, o único capaz de fazer mal à minha alma sou eu mesmo. Coisas más só podem ocorrer com o meu corpo e, por isso, a resposta à pergunta “por que coisas más acontecem com pessoas boas” é que elas simplesmente não acontecem com as pessoas boas, mas sim com o seu corpo.

Mitos

Quem sente mais por não ser rei como aquele que foi destronado? Quem se sente mais sozinho do que aquele que acabou de se tornar órfão? Quem sente mais gratidão por estar vivo como aquele que acabou de ser curado de uma grave doença? É fato que costumamos a dar valor às coisas por comparação. Só sabemos que um bolo foi mal feito se já experimentamos algum bem feito. Mas como podemos saber que o homem é mau? Só poderíamos conceber a ideia de homem mau se acreditarmos que já existiu um homem bom. Não é esta a ideia do paraíso perdido?  Ideia esta que o cristianismo nos conta a tantos anos?   A explicação para esta certeza cristã é que a partir da liberdade humana o mal entra no mundo, mas é por causa da liberdade existir que o homem tem a opção de agir bondosamente.

Boécio

Boécio diz que as coisas ruins que acontecem em nossa vida são tão boas para nós quanto as coisas que costumamos chamar de boas. Enquanto o que é ruim ensina, o que é bom ilude. Quando os brinquedos mundanos nos quais depositamos totalmente nossas esperanças de felicidade nos são retirados, nossa tolice também é retirada, e tudo isso nos aproxima da verdadeira felicidade, que não está em coisas mundanas, mas na sabedoria. As coisas ruins nos acordam do sonho ilusório, e assim é bom – assumindo, como o corajoso e honesto pensamento antigo quase sempre assumiu, que precisamos mais da verdade que do conforto, que precisamos não da falsa, mas da verdadeira felicidade.

Um filósofo analítico qualquer

Você poderia dizer como estará sua saúde nos próximos 5 minutos? Ou quando será que seu chefe o demitirá? Talvez você tenha uma ideia, mas nunca terá a certeza de como será o futuro. Existem elementos que causarão o efeitos no nosso futuro que ainda não conhecemos. É por isso que você não pode dizer que o sofrimento é ruim. Para dizer que ele é ruim, você deveria comparar a sua vida com sofrimento com a sua vida sem sofrimento e isto é algo que não está no nosso alcance. Portanto, não esta em nosso alcance atribuir juízo para o sofrimento e sim aceita-lo como parte integrante da vida.

Mesmo após ouvir todas estas respostas, pode parecer que o problema ainda não foi totalmente resolvido. Talvez pareça que as respostas não foram suficientemente fortes. Esta é uma possibilidade. Plantinga diz que Deus pode ter um motivo muito especial para não nos dar uma resposta satisfatória, um possível motivo seria o fato de que não conseguiríamos entender. Esta é outra  possibilidade. Entretanto as Escrituras são evidencias de uma promessa futura em que o próprio Deus acabará com o mal no fim dos tempos. Esta resposta pode parecer um pouco incerta, mas C. S. Lewis lembra que o autor da peça só sobe ao palco quando o espetáculo acaba.

Caio Peclat da Silva Paula

Bibliografia:
Peter Kreeft - Buscar sentido no sofrimento
Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli – Manual de defesa da Fé
Alvin Plantinga - Deus, a liberdade e o mal
N. T. Wright - O Mal e a Justiça de Deus


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

P&R #3 - Os Discípulos de Jesus vs Homens-bomba

Pergunta:

Para dar um ponto positivo à ressurreição de Jesus e à veracidade do Cristianismo usamos às vezes o argumento de que "É altamente improvável ou quase impossível que os apóstolos tivessem morrido por uma invenção, uma mentira, um embuste, enfim." Até aí, tudo em ordem. Mas e se alguém objetasse dizendo: "Homens-bombas também morrem por causa de Deus, isso quer dizer que o islamismo também é verdade?", qual resposta eu poderia dar? Será que há alguma coisa a mais que eu não estou conseguindo enxergar nessa estória toda?
Obrigada, desde já.

Feliz Natal e tenha um próspero ano novo e que a paz de Cristo esteja com você.

Atenciosamente,
Yasmin.

Maria foi assunta ao céu?


Maria foi assunta corporalmente aos céus? Essa doutrina da Igreja Católica Romana enfrenta dois problemas sérios: Não possui base bíblica e é tardio na história. Apologista católico, Karl Keating admite:

Fundamentalistas perguntam, onde esta a prova nas Escrituras? Estritamente, não há nenhuma. [1]

De fato, nem mesmo tradição pode ajudar aqui. A doutrina é completamente ausente em todos os escritos até séculos depois da morte e ressurreição de Cristo. Epifânio, no quarto século escreveu que, “quanto ao seu fim [de Maria], ninguém sabe.” [2] Ele também negou que ela tenha sido levada ao céu. [3]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Imaculada Concepção de Maria?


A doutrina da Concepção (ou Conceição) Imaculada de Maria diz que desde o primeiro momento da concepção de Maria, ela foi preservada do pecado original. De acordo com o Catolicismo Romano, Maria foi concebida sem pecado, era cheia de graça, pois Jesus, nosso Salvador, deveria ser concebido sem pecado.
Antes de começar, esse texto não tem o intuito de ofender a ninguém. É de fato um incomodo quando católicos dizem que Maria esta em igualdade com Cristo na questão de pecados, ou que nós deveríamos crer nisso pois "foi a crença de toda a igreja por dois mil anos" e etc. Se você for um buscador da verdade sincero, você vai ler material com argumentação oposta à sua.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Grandes (e loucas) ideias em Filosofia



Por Caio Peclat

Grandes (e loucas) ideias em Filosofia


Sei bem que boa parte dos leitores deste blog não está acostumada a tratar de grandes problemas em Filosofia. Muitas vezes quem lê é alguém que gosta do assunto, mas, em muitos dos casos, não lê grandes obras da história da filosofia. Quando notei este público, me senti motivado a escrever um texto com alguns pensamentos um tanto incomuns (aos olhos do senso comum) a título de curiosidade. O resultado está logo abaixo: