quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O que somos nós, os homens contemporâneos?

O que somos nós, os homens contemporâneos?


Em uma de minhas reflexões, consegui notar alguns absurdos contidos no nosso pensamento.  Acredito que estes podem nos contar algo de relevante sobre a nossa cultura e o nosso pensamento. Porém, antes de iniciar, faz-se necessária uma observação: Tudo que será exposto aqui está dentro de dois contextos, a saber, o cultural brasileiro e o contexto histórico contemporâneo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Bíblia ensina que Deus criou o universo a partir do nada?


Um dos ensinamentos centrais do Mormonismo é o de que a matéria é eterna. Deus não criou o universo a partir do nada, é o que diz a doutrina Mórmon. O “profeta” Mórmon, Joseph Smith, disse:

Você pergunta aos doutores por que eles dizem que o mundo foi feito a partir do nada; e eles vão responder, “A Bíblia não diz que Ele criou o mundo?” E eles inferem, a partir da palavra criar, que deve ter sido feito a partir do nada. Não, a palavra criar vem da palavra bara que não significa criar a partir do nada; ela significa organizar. [...] Então, nós inferimos que Deus tinha os materiais para organizar o mundo a partir do caos [...] Eles [os materiais] não tiveram inicio, e não podem ter fim. [1]

O segundo presidente dos Mórmon, Brigham Young diz que “Deus nunca criou algo a partir do nada.” [2]
Alguns Mórmons ainda argumentam que a doutrina foi originada pelos filósofos cristãos da era pós-apostólica. Isso é, do segundo século pra frente. Boa parte, na verdade, argumenta que a doutrina de Creatio Ex Nihilo se originou com Agostinho, e que ele interpretou o texto bíblico errado, já que apenas possuía a tradução para o Latim, mas não viu o texto Hebraico ou Grego.
Seria esse um verdadeiro ensino bíblico? Será mesmo que a Bíblia não ensina Creatio ex nihilo? Vamos avaliar as evidências bíblicas e históricas.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

"A Bíblia pressupõe que Deus existe, não tenta provar que Ele existe" - Uma Resposta


“As Escrituras pressupõem que Deus existe, não tentam provar Sua existência”. Esse argumento geralmente é usado por quem é contra a Teologia Natural. Voltemo-nos a ele por um instante.
Esse argumento terrível. Em primeiro lugar, a Bíblia é um livro sobre Deus e de Deus. Então é obvio que a existência de Deus é pressuposta nela. Da mesma forma que um livro de receitas pressupõe que comida exista e ensina como preparar pratos diferentes com os ingredientes, o Livro de Deus pressupõe que Ele exista e ensina o que Ele fez na história. Segundo, tal argumento falha em reconhecer que nenhum dos grupos os quais os livros da Bíblia foram endereçados era composto de ateus. Pegue, por exemplo, a carta aos Romanos. Ela foi endereçada à Igreja de Roma. Será que alguém na Igreja era composta de ateus? Claramente que não.
Terceiro, e dai? Nem mesmo a teologia natural tenta provar que Deus exista, mas sim dar uma justificativa racional para a crença em Deus, assim com 1 Pedro 3:15 pede.
Por fim, a própria Bíblia nos ensina que existe um Criador e que Ele pode ser descoberto a partir do exame da natureza. Aqueles inimigos do Cristianismo na época do Antigo e do Novo Testamento eram em sua maioria politeístas, que acreditavam em muitos deuses. Mesmo aqueles que seguiam a crença platonista da existência do Demiurgo, também criam em outros deuses além deste. Porém, estes eram “deuses ídolos”, feitos de pedra ou ferro. Alguns acreditavam no sol como sendo um deus. Porém, o Apóstolo Paulo diz que “desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis” (Romanos 1:20)
R. C. Sproul comenta esse argumento dizendo que “seria completamente desnecessário a Bíblia argumentar a existência de seu autor. Por quê? Por causa da teologia natural. Eras antes que as primeiras palavras das Escrituras fossem sequer escritas, Deus claramente se revelou na natureza. A existência do Criador foi conclusivamente provada através da sua criação.” (SPROUL, R. C., Defendendo sua fé, CPAD, p. 73-74)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sim, sua igreja precisa de apologética.


Como apologista cristão, já li e ouvi muitas objeções contra o uso da apologética cristã na evangelização e contra o ensino da apologética na igreja. Claro, existem diferentes tipos de apologética, e alguns realmente não poderiam ser usados na evangelização. Por exemplo, você não vai usar apologética de defesa de doutrina na evangelização. Se você for pras ruas falar de Cristo e acabar falando de eleição incondicional, lamento, você é burro! Mas enfim, no texto de hoje, vamos responder a mais alguns argumentos de igreja contra o uso de apologética.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Apostolo Paulo e seu uso da filosofia grega


Uma das coisas mais interessantes que os exegetas bíblicos notaram, foi o constante uso de citações de filósofos, poetas e autores teatrais gregos feita pelo Apóstolo Paulo em suas cartas. Apesar de alguns erroneamente acharem que Paulo abandonou a filosofia depois de Atos 17 por supostamente ter falhado (veja por que este pensamento esta errado clicando aqui), Paulo continuou com constante uso da filosofia grega, de forma que ele sempre usava para a) dar um aconselhamento cristão, e b) cristocentralizar o ensino grego de forma edificante. 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Não preciso de teologia! Só de Jesus!" - Uma Resposta


Calma calma. Esse texto não nega a suficiência de Cristo. Mas apenas apela para a importância do estudo da teologia, filosofia e apologética. 
No meio cristão, sempre existem aqueles que dizem “Eu não preciso de teologia! Eu não preciso de filosofia! Eu não preciso de apologética! Eu só preciso de Jesus!”. De fato, para a salvação tudo o que precisamos é de Jesus, sendo salvos apenas pela graça:

Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos) [...]
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Efésios 2:5, 8-9

E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?
E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo [...]
Atos 16:30,31

Porém, não apenas essa visão de que o cristão não precisa de teologia é não-bíblica, como também é auto-refutável. Primeiro, não é bíblica pois vemos o tempo inteiro na Bíblia tanto Jesus quanto os apóstolos falando por meio da teologia judaica e cristã utilizando as Escrituras. E qualquer um que leu o Novo Testamento sabe que em incontáveis vezes Jesus e Paulo falaram “Como esta escrito...”, “As Escrituras Sagradas dizem...”, “Pois Deus falou por meio do profeta...”, etc. O próprio Apostolo Paulo, quando partia para a evangelização, utilizava de métodos teológicos e apologéticos para sua defesa da fé. É por isso que ele declara que foi preso por causa de sua defesa:

Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.
De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares;
Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.
Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho.
Filipenses 1:7, 13, 16-17

De fato, não estudar teologia (não falo do curso) faz com que o cristão não saiba combater as seitas e heresias quando precisar, e isso é ir contra o mandamento bíblico de “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” (Judas 1:3) Mesmo se você for um Calvinista que não quer defender a fé cristã por que "os eleitos serão salvos não importa o que você faça", você não pode ignorar o comando bíblico para defender a fé. Apóstolo Pedro diz:

Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.
1 Pedro 3:15

As palavras gregas para "para responder" são πρὸς ἀπολογίαν (pros apologian), que significam literalmente "para defender". ἀπολογία (Apologia) também é usado em Filipenses 1:17 (ou no v. 16, dependendo da versão); 2 Coríntios 7:11; Atos 22:1; 25:16; entre outras.
Segundo, mesmo quando alguém fala que “só precisa de um relacionamento com Jesus”, ele esta fazendo uma afirmação teológica. Ele nem ao menos pode negar que para tal crença ele deve crer que Jesus é o Filho de Deus e que ressuscitou dos mortos. 
R. C. Sproul bem colocou os problemas dessa crença:

Existem pessoas que pensam que: “Tudo o que preciso para ser um cristão é ter um relacionamento pessoal com Jesus. Não preciso de doutrina. Não preciso de nenhuma teologia...” [...] “Não acredito em proposições. Creio em Jesus. Ele é uma pessoa, não uma proposição”.
É verdade, como tais pessoas dizem, que alguém pode ter conhecimento das proposições de Jesus sem conhecê-lo. Podemos saber acerca de Jesus e não ter um relacionamento pessoal com ele. Já quando falamos com as pessoas sobre este Jesus, com o qual temos um relacionamento pessoal, falamos coisas a respeito dEle. Dizemos: “Este Jesus é o eterno Filho de Deus”. Essa é uma proposição. O Jesus com o qual quero ter um relacionamento realmente é o eterno Filho de Deus. Não podemos ter um relacionamento pessoal redentor com Ele a menos que saibamos quem Ele é, e possamos confirmar a verdade a respeito dEle – que realmente morreu na cruz para a redenção, e que é verdade que saiu do tumulo. Se dissermos que temos um relacionamento pessoal com Cristo, mas não acreditamos que ressuscitou dos mortos, então estamos dizendo que possuímos um relacionamento pessoal com um cadáver. [1]

A fé bíblica não pode ser uma fé cega ou sem o qualquer base factual. Isso é fideísmo. Como Sproul diz, “A Bíblia nunca nos diz para dar um salto na escuridão e esperar que exista alguém lá. Ela nos diz para saltarmos das trevas para a luz. Isso não é salto no escuro. A fé pela qual o Novo Testamento nos chama é a fé enraizada e solidificada em algo que Deus fez de forma clara.” [2]




[1] SPROUL, R. C.. Defendendo sua fé: Uma Introdução à Apologética. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p. 19-20
[2] Ibid, p. 20

sábado, 19 de novembro de 2016

Uma Resposta ao Pósmodernismo Filosófico


Uma Resposta ao Pósmodernismo Filosófico


Por Norman Geisler
Tradução: Felipe Forti

Prémodernismo normalmente é pensado como a era anterior à 1650 d.C. O tema dominante era a metafisica ou o estudo do ser (realidade). O modernismo então começou com Rene Descartes por volta de 1650 e voltou a atenção à epistemologia ou como conhecer. A data precisa do Pós-modernismo é disputada. Apesar de suas raízes estarem em Friedrich Nietzsche (d. 1900), ele não começou a tomar forma até por volta de 1950 com Martin Heidegger e começar a ocupar a cadeira da frente em discussões uma década ou duas depois com Derrida. O foco primário do Pós-modernismo é a hermenêutica ou como interpretar. O objeto da interpretação pode ser a história, a arte, a literatura, mas desconstruir é o foco central.
Alguém ilustrou a diferença entre os três períodos de pensamento utilizando a imagem de um juiz. O juiz Pré-moderno diz: “Eu os chamo pelo que eles são”. O juiz Moderno clama, “Eu os chamo como eu os vejo”. Mas o juiz Pós-moderno declara: “Eles não são nada até eu poder vê-los”.