quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A Lei do Sábado ainda é exigida aos Cristãos? [Atualizado: 13/03/2016]


[Duas coisas a se manter em mente: Primeiro, apresentar argumentos para a permanência do sábado não refuta minhas objeções e argumentos. Ainda mais se estiverem no Antigo Testamento. Segundo estou pressupondo que haja tal divisão de "lei moral" e "lei cerimonial". Mas meus argumentos e mantêm firmes mesmo sem tal divisão. Faço-o com propósitos que o leitor perceberá ao longo do texto.]

Como um ex-frequentador da Igreja Adventista do Sétimo dia, um dos tópicos mais “fascinantes” que eu estudei quando resolvi sair de la é o tópico do Sabbath. A lei da guarda do sábado esta nos dez mandamentos, e isso traz uma certa estranheza no meio cristão geral. Por que as pessoas guardam o domingo, e não o sábado, como a Bíblia pede?
Agora, eu acho completamente irrelevante se você guarda o sábado, o domingo ou a terça-feira. Eu realmente não vejo como a lei do sábado poderia ser considerada uma lei moral (e eu darei motivos pra isso abaixo). Mas quando se faz isso algo relevante para a salvação (e sim, Ellen White disse isso), então tem alguma coisa errada.
Antes de começar, aos irmãos adventistas eu gostaria de dizer que os amo muito. De fato, é justamente por amá-los que resolvi escrever este texto. Deus tem falado muito comigo para escrever algo sobre este tópico. E eu creio que minha passagem por la (IASD) não foi em vão. Então, com carinho e respeito, eu vou demonstrar porque é errado tratar a lei do sábado como eles tratam.

A Lei do Sábado ainda é exigida aos Cristãos?


O que é a Lei do Sábado?


A lei do sábado é o quarto mandamento. A Bíblia diz:

Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra.
Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.
Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.
Êxodo 20:8-11

Então, é basicamente um mandamento dado para que Israel guarde o sétimo dia. Isso mesmo, Israel:

Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo:
Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados; porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica.
Êxodo 31:12-13

Pode ser respondido que Jesus disse que o sábado havia sido feito para o homem, não apenas para os judeus. Creio que essa interpretação esteja um pouco equivocada. Judeus são homens. E o fato de Jesus afirmar que o sábado foi feito já é por si só algo que destrói a moralidade da lei sabatica. Mas, de qualquer forma, o contexto nos sugere uma interpretação completamente diferente. Como William Hohmann disse:

“O assunto no contexto tem relação em como os lideres religiosos haviam, através de sua interpretação rígida das Escrituras, feito pontos da lei como o sábado ser um peso sob as pessoas alem do alcance intencionado pela lei. No caso do mandamento do sábado, ‘homem’ como resultado serviram ao sábado ao invés da intenção do sábado em servir o homem. O ‘homem’ nesse contexto era o homem a quem ele foi dado, pois o sábado não foi dado a toda a humanidade. A conclusão da eisegese de que o sábado portanto foi dado, e requerido a toda a humanidade, não encontra nenhuma evidencia de suporte nas Escrituras.”
“O que precisa ser compreendido independente do contexto é que eles e as pessoas estavam servindo a lei ao invés da lei estar servindo a eles. Assim, era uma forma de idolatria. Você é o servo daquilo que serve, e eles se fizeram servos da lei de uma forma que eles escolheram a lei ao invés de Cristo quando ele veio ao homem curado da cegueira de nascimento, vendo Jesus fazendo milagres no sábado.” [William Hohmann, “Sabbath Refutations”, p. 7]

Em todo caso, se você for ler os dez mandamentos em hebraico, a frase “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” esta exatamente no centro. Isso é um detalhe crucial, pois indica que essa lei é a marca dessa aliança. Como Meredith Kline disse

“Existe [...] a evidência comparativa de tratados extra-bíblicos. Alianças, como em Êxodo 20:2-17, são encontradas escritas completamente em uma tabua e de fato, como nas tabuas Sinaiticas, em ambos os lados. Como um detalhe no paralelismo da aparência externa é tentador ver que o sinal do sábado esta no meio das dez palavras o que é equivalente ao selo dinástico do suserano encontrado no meio da observação do documento do tratado internacional. Já no caso do Decálogo o suserano é Yahweh, não haverá representação dele em seu selo, mas o sábado é declarado como o ‘sinal da aliança’ (Ex. 31:13-17).” [Meredith Kline, “Treaty of the Great King”, p. 18]

Dale Ratzlaff também diz:

“[O Sabbath] era um ‘sinal’ entre Deus e Israel. Na Bíblia Hebraica, se alguém contar as palavras dos Dez Mandamentos vai achar que a frase central é ‘lembre-se do dia do sábado para santificá-lo’. Como o sinal da aliança era colocado no centro dos documentos de tratados do Antigo Oriente Médio, então o Sabbath, como sinal da Aliança Sinaitica, se encontra corretamente no centro dos Dez Mandamentos.” [Dale Ratzlaff, “Sabbath in Christ”, Pos. 830 (Edição Kindle)] 

Isso indica que a lei do sábado era apenas uma marca de aliança, não uma das leis morais. A própria Bíblia deixa isso explicito em algumas partes. No mesmo livro em que a lei é apresentada, por exemplo:

Disse ainda o Senhor a Moisés:
"Diga aos israelitas que guardem os meus sábados. Isso será um sinal entre mim e vocês, geração após geração, a fim de que saibam que eu sou o Senhor, que os santifica.
"Guardem o sábado, pois para vocês é santo. Aquele que o profanar terá que ser executado; quem fizer algum trabalho nesse dia será eliminado do meio do seu povo.
Em seis dias qualquer trabalho poderá ser feito, mas o sétimo dia é o sábado, o dia de descanso, consagrado ao Senhor. Quem fizer algum trabalho no sábado terá que ser executado.
Os israelitas terão que guardar o sábado, eles e os seus descendentes, como uma aliança perpétua.
Isso será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas, pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, e no sétimo dia ele não trabalhou e descansou".
Quando o Senhor terminou de falar com Moisés no monte Sinai, deu-lhe as duas tábuas da aliança, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
Êxodo 31:12-18

John Reisinger mostrou como esse texto estabelece cinco fatos:

1)      “Dez Mandamentos” é sinônimo de “taboas de pedra”, e são os documentos da aliança que separa Israel como nação especial de Deus. (duas tábuas da aliança, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.)
2)      O sábado, era um sinal (ou marca) da aliança. (Os israelitas terão que guardar o sábado [...]como uma aliança perpétua. Isso será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas)
3)      O sinal/marca da aliança, o sábado, vale apenas para a o tempo em que a aliança estiver valida. (guardar o sábado [...]como uma aliança perpétua.)
4)      A aliança foi feita apenas com a nação de Israel. (Os israelitas terão que guardar o sábado [...] Isso será um sinal perpétuo entre mim e os israelitas.)
5)      O proposito do sábado tinha relação com trabalho físico, não com adoração publica. (Aquele que o profanar terá que ser executado; quem fizer algum trabalho nesse dia será eliminado do meio do seu povo. Em seis dias qualquer trabalho poderá ser feito, mas o sétimo dia é o sábado, o dia de descanso, consagrado ao Senhor. Quem fizer algum trabalho no sábado terá que ser executado.)
[John G. Reisinger, Tablets of Stone & The History of Redemption, Capitulo 7, online em: The Seventh-Day Sabbath Was the Sign of the Mosaic Covenant!]

Ezequiel também deixa isso claro:

Eu lhes dei os meus decretos e lhes tornei conhecidas as minhas leis, pois aquele que lhes obedecer viverá por elas.
Também lhes dei os meus sábados como um sinal entre nós, para que soubessem que eu, o Senhor, fiz deles um povo santo.
" ‘Contudo, os israelitas se rebelaram contra mim no deserto. Não agiram segundo os meus decretos, mas rejeitaram as minhas leis, sendo que aquele que lhes obedecer viverá por elas, e profanaram os meus sábadosPor isso eu disse que derramaria a minha ira sobre eles e os destruiria no deserto.
Mas, por amor do meu nome, eu agi, evitando que o meu nome fosse profanado aos olhos das nações à vista das quais eu os havia tirado dali.
Também, com mão erguida, jurei a eles que não os levaria para a terra que eu lhes dei, terra onde manam leite e mel, a mais linda de todas as terras,
porque eles rejeitaram as minhas leis, não agiram segundo os meus decretos e profanaram os meus sábados. Pois os seus corações estavam voltados paras os seus ídolos.
Olhei, porém, para eles com piedade e não os destruí, não os exterminei no deserto.
Eu disse aos filhos deles no deserto: Não sigam as normas dos seus pais nem obedeçam às leis deles nem se contaminem com os seus ídolos.
Eu sou o Senhor, o seu Deus; ajam conforme os meus decretos e tenham o cuidado de guardar as minhas leis.
Santifiquem os meus sábados, para que eles sejam um sinal entre nós. Então vocês saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus.
Ezequiel 20:11-20

Reisinger segue essa passagem dizendo:

“Note as palavras “por isso” no verso 13 e sua conexão com o verso 16 e 20. Israel cometeu graves pecados, mas ainda não foi até eles ‘profanarem o sábado’ que eles foram para cativeiro. De novo, isso mostra que quebrar o sinal da aliança é equivalente a desrespeitar toda a aliança. Profanar os sábados iria parecer o pior pecado possível que um israelita poderia cometer. O cativeiro babilônico de Israel foi medido em termos de quantos anos eles tinham se recusado a guardar a lei do sábado anual para deixar a terra descansar. [...] Podemos concluir com esses textos que o mais serio dos dez mandamentos, que envolvia julgamento, era o quarto, e que sua importância ficava apenas no fato de que era um sinal da aliança.” [Idem]

Ellen White ensina que é essencial para a salvação?


Mas os cristãos das gerações passadas observaram o domingo, supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que crêem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade. Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma, e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem. Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma — “o sinal da besta.” E somente depois que esta situação esteja assim plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber “o sinal da besta”. [Ellen G. White, "O Grande Conflito", p. 449]

Deixe-me deixar claro que, com todo respeito, a guarda do domingo ser a “marca da besta” é a coisa mais bizarra que eu já vi na vida. Se o sábado é o “selo de Deus” e o domingo é a “marca a besta”, então no fim dos tempos se alguém escolher guardar a quarta feira essa pessoa estará imune tanto a salvação quanto ao inferno. Se você pensar nisso, os Muçulmanos estarão imunes de tudo, pois guardam a sexta feira. Não existirá decreto dominical. E se houver, será por que a maioria das pessoas descansa no domingo mesmo, não por causa de “ohhh Satanás”.
De fato, se eu tenho que fazer algo para ser salvo, então eu estou buscando me salvar, mas não é Cristo que me salva. Isso é salvação por obras.
O pessoal do “Na Mira da Verdade” tenta contornar essa conclusão dizendo:

“... longe de ensinar a salvação pela Lei, Ellen White está exortando as pessoas de que rejeitar uma verdade depois de conhecê-la significa desonrar a Deus, o que levará à perdição. Também ela mostra que relaxar na observância do Sábado é errado, pois é uma afronta ao mandamento. Qualquer mandamento que seja desobedecido voluntariamente – sem que haja arrependimento – implicará em perdição.” [Na Mira da Verdade, “Santificar o Sábado importa em salvação eterna”]

Se eu tenho que fazer isso, ao invés de deixar Cristo me salvar, então eu mesmo estou buscando uma salvação por obras. Isso sim mostra que a doutrina diz que Cristo não é o bastante. Na lista de frutos do Espirito de Paulo, não existe nada sobre a guarda do sábado. (Sobre esse tema, o pastor A. G. Brito me respondeu nos comentários, mas eu respondi ao comentário dele >aqui<)
Agora, a questão principal aqui é: Por que o domingo? Vamos tentar voltar no tempo...

O Papa ou Constantino mudou a lei?


Não. Embora, tanto Ellen White quanto o Catecismo da Igreja Católica digam algo parecido, nada disso condiz com a verdade. (A proposito, uma amiga minha verificou o Catecismo da Igreja Católica e não encontrou o que EGW citou.) Sra. White diz:

Na primeira parte do século IV, o imperador Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano. O dia do Sol era venerado por seus súditos pagãos e honrado pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo. [Ellen G. White, "O Grande Conflito", p. 53]

A primeira medida de ordem pública impondo a observância do domingo foi a lei feita por Constantino. (No ano 321.) Este edito exigia que o povo da cidade repousasse “no venerável dia do Sol”, mas permitia aos homens do campo continuarem com suas fainas agrícolas. Posto que virtualmente um estatuto pagão, foi imposto pelo imperador depois de ser nominalmente aceito pelo cristianismo. [Ellen G. White, "O Grande Conflito", p. 574]

“Os católicos romanos reconhecem que a mudança do sábado foi feita pela sua igreja, e declaram que os protestantes, observando o domingo, estão reconhecendo o poder desta. No “Catecismo Católico da Religião Cristã”, em resposta a uma pergunta sobre o dia a ser observado em obediência ao quarto mandamento, faz-se esta declaração: ‘Enquanto vigorou a antiga lei, o sábado era o dia santificado, mas a igreja, instruída por Jesus Cristo, e dirigida pelo Espírito de Deus, substituiu o sábado pelo domingo; assim, santificamos agora o primeiro dia, e não o sétimo dia. Domingo quer dizer, e agora é, dia do Senhor.’” [Ellen G. White, "O Grande Conflito", p. 448]

Historicamente, Ellen White esta monstruosamente errada. Católicos não creem que eles mudaram o sábado pro domingo, mas sim que receberam isso como tradição dos apóstolos. Como John Meiler, reitor da Igreja de St. John diz: 


“Tendo vivido por anos entre os Adventistas do Sétimo Dia, eu estou familiarizado com suas afirmações de que o Papa de Roma mudou o Sabbath do sétimo dia para o primeiro dia da semana. Tais asserções são totalmente sem fundamento. Católicos não afirmam tal coisa; mas mantêm que os próprios apóstolos estabilizaram a observância do Domingo e que nós recebemos isso por tradição vinda deles. Os concílios e papas posteriores simplesmente confirmaram a observância do dia como sendo recebidos dos apóstolos.” (John Meiler, citado por  D. M. Canright , em Seventh-Day Adventism Renounced, kindle pos. 2860)

Alias, temos evidências esmagadoras de que Cristãos adoravam a Deus no domingo já no inicio do segundo século:


“Eles afirmaram […] que sua única culpa, seu único erro, era terem o costume de se reunirem antes do amanhecer num certo dia determinado, quando então cantavam responsivamente os versos de um hino a Cristo, tratando-o como Deus, e prometiam solenemente uns aos outros não cometerem maldade alguma, não defraudarem, não roubarem, não adulterarem, nunca mentirem, e não negar a fé quando fossem instados a fazê-lo. Quando estas coisas aconteciam, era seu costume se separarem e então se juntarem de novo para a refeição, a qual eles comiam sem qualquer desordem.” [Plínio, o Jovem, Cartas 10.96, escrita em 111 d.C.]

Note que eles se reuniam em um determinado dia, e neste dia tinham uma refeição especifica. É exatamente o que vemos no texto de Atos:


E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.
Atos 20:7

Então, os Cristãos deveriam seguir essa rotina toda semana, no primeiro dia. Mas ainda há mais:

“Nós guardamos o oitavo dia com alegria, o dia em que Jesus ressuscitou dos mortos” [Carta de Pseudo-Barnabé 15:6-8 escrita entre 100 e 135 d.C.]

"E no dia chamado Domingo todos que vivem em cidades ou no pais se juntam em um único lugar, e a memória dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos [...] Mas o Domingo é o dia em que nós nos reunimos, porque é o primeiro dia da semana em que Deus [...] fez o mundo; e Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou." [Justin Martyr, 145-150 d.C.]

“Deixe ele que contende que o sábado ainda deve ser observado como necessário para a salvação e a circuncisão no oitavo dia [...] ensinar-nos que, no tempo passado, homens corretos guardavam o sábado ou praticavam a circuncisão, e então foram colocados como ‘amigos de Deus’. Pois se a circuncisão corrige o homem, já que Deus fez Adão não circuncidado, por que ele não circuncidou ele, mesmo depois dele ter pecado, se a circuncisão corrige? [...] Portanto, já que Deus originou Adão não-circuncidado e sem ser observador do sábado, conseqüentemente seu filho também, Abel, oferecendo seus sacrifícios, não circuncidado e sem observar o sábado, foi por ele [Deus] comandado. [Gênesis 4:1-7, Hebreus 9:4] [...] Noé também, incircunciso – sim, não-observador do sábado – Deus livrou do dilúvio. Enoque também, homem correto, incircunciso e não observador do sábado, ele traduziu ao mundo, quem não experimentou primeiro a morte para que, sendo um candidato a vida eterna, pudesse mostrar a nós que nós também podemos, sem o peso da lei de Moisés, agradar a Deus” [Tertuliano, “Na Answer to the Jews 2” escrito em 203 d.C.]

“Os apóstolos então mostraram: no primeiro dia da semana que haja serviço, e leitura das Escrituras Sagradas, e a oferta, porque no primeiro dia da semana nosso Deus ressuscitou dos mortos, e no primeiro dia da semana ele levantou ao mundo, e no primeiro dia da semana ele subiu aos céus, e no primeiro dia da semana ele vai aparecer finalmente com os anjos dos céus. [A Didascalia 2 escrito em 225 d.C.]

“Por isso, não é possível que o [dia de] descanso depois do sábado deveria ter entrado em vigor a partir do sétimo [dia] do nosso Deus. Pelo contrário, é nosso Salvador que, após o padrão de seu próprio repouso, causou-nos a ser feito à semelhança da sua morte, e, portanto, também de sua ressurreição.” [Orígenes, em 229 d.C.]

“O sexto dia [sexta-feira] é chamado parasceve [preparação], ou seja, a preparação do reino. [...] Neste dia também, por causa da paixão do Senhor Jesus Cristo, nós fazemos tanto uma estação a Deus ou um jejum. No sétimo dia descansou de todas as suas obras, e abençoou-o, e o santificou. No antigo dia estamos acostumados a jejuar rigorosamente, que, no dia do Senhor possamos ir adiante para o nosso pão com ações de graças. E deixe o parasceve [preparação] tornar-se um rigoroso jejum, para que não deve aparecer para observar qualquer sábado com os judeus. . . sábado que ele [Cristo] em seu corpo abolida.” [Vitoriano, “The Creation of the World”, escrito em 300 d.C.]


“O sábado foi o fim da primeira criação, o dia do Senhor era o início da segunda, em que ele renovou e restaurou o velho, da mesma forma como ele prescrevia que eles deveriam observar formalmente o sábado como um memorial do final do primeiras coisas que, por isso, honrar o dia do Senhor como sendo o memorial da nova criação” [Athanasius, "On Sabbath and Circumcision 3" escrito em 345 d.C.]

Existem muitos outro pais da igreja que disseram que haviam abandonado o sábado e ido para o domingo. Isso muito antes de Constantino.
Isso é reconhecido por virtualmente todos os lideres adventistas. A questão aqui é: Como isso é respondido?
Um dos maiores teólogos adventistas Samuele Bacchiocchi, tenta argumentar para uma nova teoria que explique a origem da guarda do domingo. Vamos ver os quatro argumentos dados por ele, para dizer que o domingo veio por ordem do Bispo de Roma em 135 d.C. e que teve influencias da adoração ao sol:

Primeiro Argumento – “Não pode ter surgido na Jerusalém antiga”


Bacchiocchi diz que a guarda do domingo não pode ter surgido na antiga Jerusalém. Isso porque a igreja apostólica via a ressurreição como uma realidade existencial que devia ser vivida vitoriosamente pelo poder do Salvador ressurreto. Não era pratica lingüística associada a adoração no domingo.
Ele também argumenta que Lucas chama os membros da Igreja de Jerusalém de “zelosos da lei” em Atos 21:20. E que como não houve controvérsia entre Paulo e os Judeus, então isso mostra que o Sábado nunca foi disputado, pois devia ser observado pelos Cristãos.
A igreja de Jerusalém também não tinha autoridade e nem o desejo de mudar o Sábado para o Domingo, pois era composta por Judeus e Cristãos que cumpriam a lei.

Resposta


O problema com esse argumento é que ele depende da idéia de que o Domingo começou como um Sabbath Cristão, de adoração e descanso, como um substituto do Sabbath Judaico. Porem, não há razão para isso. D. A. Carson, em seu livro “From Sabbath do Lord’s Day” (p. 270) [Do Shabbath para o Dia do Senhor] argumenta que a adoração no Domingo começou na Palestina Cristã não como uma alternativa ao Sábado, mas como um adicional a observância do Sabbath Judaico. De acordo com Eusébio, os Ebionitas observavam tanto o Sábado como o Domingo, o que representa a pratica da igreja Palestina primitiva. Os outros que não guardavam o Domingo no tempo de Eusébio podem ser descendentes de grupos distintos que abandonaram o Domingo Cristão em 70 d. C., quando os Judeus Cristãos Palestinos foram pressionados pelas sinagogas com direito a serem excomungados.

Segundo Argumento – “A mudança veio do anti-judaismo da epoca”


Bacchiocchi basicamente diz o seguinte: A irmandade gentílica de Roma ajudou na diferenciação de Judeus e Cristãos. Em 64 d.C., Nero culpou os Cristãos pelo incêndio que não atingiu o bairro Judaico Trastevere. Isso sugere que os romanos consideravam os Cristãos uma religião distinta da Judaica. A razão que ele chama de “mais provável” é a de que os Cristãos de Roma não faziam cultos nas sinagogas como na Palestina.
Depois de 70 d.C., o Bispo de Roma era uma autoridade, e ele assumiu a liderança da comunidade cristã. Ele seria o único com a autoridade para influenciar novas praticas religiosas.
Os Romanos impuseram novas medidas repreensivas fiscais, militares, políticas e religiosas contra os Judeus. Em 66 d.C., houve a Primeira Revolta Judaica contra Roma. O motivo fiscal seria que os Judeus tinham que pagar multa só por serem Judeus. Já o motivo militar, veio de Vespariano e Tito, que esmagaram a primeira revolta. O motivo religioso é que Vespariano aboliu o Sinédrio e o cargo do sumo sacerdote.
Existem escritos também de varias pessoas da época (Sêneca, Pérsio, Petrônio, Quintiliano, Marcial, Plutarco, Juvenal e Tácito) que escreveram vários documentos sobre uma propaganda anti-judaica, que ridicularizava os Judeus por causa do Sábado e da circuncisão.
Bacchiocchi nos mostra uma descrição da diferenciação anti-judaica do segundo século, o que foi um fator importante na atitude Cristã do segundo século com o Sabbath. Foi o fenômeno complexo, incorporar a teologia Paulina para a liberdade dos Cristãos Gentios da lei, com o desejo de não serem associados aos Judeus pelas autoridades Romanas, alem de outros fatores. E estes fatores devem ter feito os Cristãos do segundo século a falar mal do Sabbath Judaico. Devemos acrescentar também que a controvérsia com o Gnosticismo, o Cristianismo Católico recusou-se a abandonar a continuidade com o Antigo Testamento. A distinção de Marcião de Sinope entre o Deus mal dos Judeus que deu o mandamento do Sabbath, e o Deus Cristão revelado por Jesus era repudiado pela igreja.

Resposta


Se o Sábado tivesse sido mudado para o Domingo mais recentemente, deveria ter havido mais discussão sobre a superioridade do Domingo sobre o Sábado. E esse é o problema central do argumento. Se o Sábado era tão importante para os Cristãos, então porque não existe nenhum documento registrado de uma luta contra os Romanos? Uma Lei de extrema importância, dada por Deus, seria de extrema importância para os Cristãos se continuasse valida e eles com toda a certeza lutariam por isso. Sendo assim, deveríamos ter registros de algo. Em especial por ter acontecido depois das Revoltas Judaicas.

Terceiro Argumento – “O Bispo de Roma mudou o Sábado para o Domingo”


Em 135 d.C., Adriano publicou um decreto, três anos depois dos combates que visavam esmagar a Segunda Revolta Judaica. Após esmagar os judeus, fez de Jerusalém uma colônia Romana. Proibiu Judeus e Cristãos de entrar na cidade e baniu de todo o império as praticas Judaicas (incluindo o Sábado). Com isso, os Cristãos seguiram a orientação do Bispo de Roma e mudaram o Sábado para o Domingo e a Páscoa para o Domingo de Páscoa, isso para evitar semelhanças com o Judaísmo.
Por causa das proibições romanas e as zombarias, os Cristãos começaram a escrever contra os Judeus. A idéia era mostrar aos Romanos que o Cristianismo era diferente.

Resposta


O problema desse argumento é que, em 190 d.C., o Bispo Victor, de Roma, não conseguiu impor a pratica de se guardar o a Páscoa depois do Domingo de Páscoa. Se o Bispo Romano não tinha poder para impor sua vontade na igreja em 190 d.C., como poderia o Bispo Romano em 130 ter imposto a pratica universal de guarda do Domingo semanal em toda a igreja? Deveríamos ter vários documentos mostrando uma grande controvérsia para a continuidade da guarda do Sábado.

Quarto Argumento – “A guarda do Domingo começou sob influencia da adoração ao Sol”


O quarto e ultimo argumento de Bacchiocchi é o de que os Cristãos do segundo século foram influenciados pela pratica da adoração ao Sol Invictus, predominante em Roma. Ele então oferece algumas evidencias como a repreensão de lideres Cristãos a praticas e uma citação de Eusébio sobre a criação do Sol no primeiro dia da criação.

Resposta


Esse talvez seja o argumento mais fraco de Bacchiocchi. Isso porque os Cristãos primitivos vieram de uma tradição judaica extremamente anti-paganismo. Por esse motivo sabemos que a história de Cristo não é uma copia de mitos da época. Os Cristãos Judeus detestavam praticas pagãs e, por isso, não poderiam ter sido influenciados pela adoração ao Sol, já que Gênesis 1 também tinha como motivo nos dizer que o Sol não era um deus, mas algo criado por Deus. Talvez o que Eusébio se refira é que a época do Sabbath acabou e houve uma nova luz, como no primeiro dia da semana de criação, que deu inicio a uma nova era.

A Didaquê nos diz que os Apóstolos adoravam no Domingo


De acordo com a Didaquê, documento da doutrina apostólica escrito em 70 d.C:

“Mas em todo Dia do Senhor [...] se juntem e partam o pão, e dêem graças após confessarem suas transgressões, que o vosso sacrifício possa ser puro.” [Didaquê 14]

Já que a Bíblia nos diz que os apóstolos se reuniam no primeiro dia da semana [Atos 20:7] para partir o pão, não importa qual teoria você bole para escapar dessa conclusão e dizer que eles tinham outros motivos para se reunirem. Com a Didaquê podemos concluir que eles se reuniam todos os primeiros dias da semana.
Então, concluímos que a adoração no domingo começou no primeiro século, não no quarto.

Inácio de Antioquia diz que o Dia do Senhor é o domingo


Tal passagem é prova irrefutável de que os apóstolos se reuniam e adoravam no domingo. Inácio de Antioquia era discípulo de João e disse:

"Não sejam enganados por falsas doutrinas, nem por fabulas mentirosas, que são corruptíveis. Pois se nós ainda vivemos de acordo com a Lei Judaica, nós reconhecemos que não recebemos a graça [...] Se, portanto, aqueles que foram trazidos da antiga ordem para possuir a nova esperança, sem continuar a observância do Sábado, mas vivendo na observância do Dia do Senhor [kyriake hemera], em que nossa vida também ressurgiu nEle e por Sua morte. [Carta de Inácio de Antioquia aos Magnésios 8 escrita em 107 d.C.]

As palavras usadas por Inácio para “Dia do Senhor” são “kyriake hemera”. As mesmas usadas por João em Apocalipse:

Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor [kyriake hemera], e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta
Apocalipse 1:10

Por que “ainda é errado matar e roubar”, mas o sábado foi abolido?


A resposta é simples: Todos os Dez Mandamentos estão obsoletos. Eu não tenho espaço aqui para falar sobre isso, se não o texto ficaria imenso. Mas note que normalmente, os Dez Mandamentos são chamados de “aliança”. Todos eles são as “palavras da aliança”. E a marca da aliança é a lei do sábado:

Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua.
Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.
E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele no monte Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.
Êxodo 31:16-18

E esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.
Êxodo 34:28

Então vos anunciou ele a sua aliança que vos ordenou cumprir, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.
Deuteronômio 4:13

Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que o Senhor fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi, e água não bebi
Deuteronômio 9:9

Sucedeu, pois, que ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança.
Deuteronômio 9:11

Agora, veja o que o autor de Hebreus diz:

Chamando "nova" esta aliança, ele tornou antiquada a primeira; e o que se torna antiquado e envelhecido, está a ponto de desaparecer.
Ora, a primeira aliança tinha regras para a adoração e também um tabernáculo terreno.
Foi levantado um tabernáculo; na parte da frente, chamada Lugar Santo, estavam o candelabro, a mesa e os pães da Presença.
Por trás do segundo véu havia a parte chamada Santo dos Santos,
onde se encontravam o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, totalmente revestida de ouro. Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança.
Hebreus 8:13-9:4

Paulo também é bem claro dizendo que a Lei mata:

Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.
O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente.
Não será o ministério do Espírito ainda muito mais glorioso?
Se era glorioso o ministério que trouxe condenação, quanto mais glorioso será o ministério que produz justiça!
2 Coríntios 3:6-9

Jesus disse que veio cumprir e Lei... e que ela acabaria quando fosse cumprida:

Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.
Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra.
Mateus 5:17,18

Note que Cristo também menciona os profetas. Aqui vai a parte importante: Se Jesus cumpriu as profecias que falavam d’Ele, as leis cerimoniais eram “metáforas” para o Messias (Colossenses 2) e Ele cumpriu a Lei toda, então, se essas coisas se tornaram sem valor quando Ele cumpriu, não estaria também os Dez Mandamentos “sem valor” agora? Tendo sido totalmente cumpridos, eles se tornaram sombras do Messias.
E agora você deve estar pensando: “Então podemos matar, roubar, etc”? A resposta é não. Cristo nos deu dois novos ensinamentos quando instituiu a Nova Aliança:

"Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.
Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros".
João 13:34,35

É impossível amar ao próximo matando-o, roubando-o, etc. Alem disso, isso não deve ser feito por nosso esforço. É do Espírito. É o fruto do Espírito Santo em nossa vida:

Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,
mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
Gálatas 5:22,23

Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus
e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada.
E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou.
Os que obedecem aos seus mandamentos permanecem nele, e ele neles. Deste modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu.
1 João 3:21-24

A palavra grega para “mandamentos” aqui é entele. João nunca usa essa palavra para os Dez Mandamentos. Paulo é ainda mais explicito:

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei.
Pois estes mandamentos: "Não adulterarás", "não matarás", "não furtarás", "não cobiçarás", e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: "Ame o seu próximo como a si mesmo".
O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei.
Romanos 13:8-10

A Bíblia nos diz que na Nova Aliança, Deus nos dará um novo coração, com o Espírito Santo, que nos dará os frutos e mudará nossos desejos:

Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.
Ezequiel 36:26

Isso também não significa que não pecamos mais. Como disse Paulo e João:

Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.
E, se faço o que não desejo, admito que a lei é boa.
Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.
Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.
Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus;
mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros.
Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?
Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado.
Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus,
Romanos 7:15-8:1

Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
1 João 1:8


Ainda somos totalmente depravados. Mas temos um advogado: Cristo. Que morreu para nos salvar das nossas quedas e de nossa natureza falha.
Dos Dez Mandamentos, apenas nove deles são repetidos no Novo Testamento:

Adorar apenas o Senhor Deus (53 vezes)
Mateus 2:2; 2:8; 2:11; 4:9; 4:10; 14:33; 15:9; 28:9; 28:17, Marcos 7:7, Lucas 4:7; 4:8; 24:52, João 4:20,21,22(x2),23,24(x2); 9:38; 12:20, Atos 7:43; 8:27; 16:14; 17:23(x2); 18:7; 18:13; 19:27; 24:11, Romanos 1:25; 12:1, 1 Coríntios 14:25, Filipenses 3:3, Colossenses 2:18, Hebreus 1:6; 9:1; 9:6; 10:2; 11:21, Apocalipse 4:10; 5:14; 7:11; 9:20; 11:1; 11:16; 14:7; 15:4; 19:4; 19:10; 22:8; 22:9 
Não a idolatria (12 vezes)
Atos 15:20, 29, Romanos 1:25, 1 Coríntios 6:9; 8; 10:7,14; 12:2, 2 Coríntios 6:16, 1 Tessalonicenses 1:9, Gálatas 5:20, Efésios 5:5, Colossenses 3:5, 1 Pedro 4:3, 1 João 5:21, Apocalipse 2:14, 20; 9:20; 21:8; 22:15 
Não profane (4 vezes)
Mateus 12:36, Efésios 5:4, Romanos 2:24, Apocalipse 16:9 
Honrar os pais (6 vezes)
Mateus 15:5; 19:19, Marcos 7:10; 10:19, Lucas 18:20, Efésios 6:2 
Não matar (6 vezes)
Mateus 5:21; 19:18, Marcos 10:19, Lucas 18:20, Romanos 1:29; 13:9, Tiago 2:11 
Não adulterar (12 vezes)
Mateus 5:27, 28, 32; 19:9,18, Marcos 10:11,19, Lucas 16:18; 18:20, Romanos 13:9, Tiago 2:11, 2 Pedro 2:14 
Não roubar (4 vezes)
Mateus 19:18, Marcos 10:19, Lucas 18:20, Romanos 2:21; 13:9, Efésios 4:28 
Não dar falso testemunho (4 vezes)
Mateus 15:9; 19:18, Marcos 10:19, Lucas 18:20 
Não cobiçar (9 vezes)
Marcos 7:22, Lucas 12:15, Romanos 1:29; 7:7; 13:9, Efésios 5:3, Colossenses 3:5, Hebreus 13:5, 2 Pedro 2:14

Veja que Jesus nos da novos mandamentos. Ele não simplesmente repete os antigos que devem permanecer, mas os substitui. Ele sempre diz “Ouviste o que foi dito... Mas eu lhes digo...” (Mateus 5:21-22; 27-28; 33-34; 38-39, 43-44). Jesus nunca “ouviram isso, mas na verdade é isso o que significa...” 
Em nenhuma parte do Novo Testamento é dito para manter o Sábado como Sabbath. O Antigo Testamento tinha uma aliança de Deus com Seu povo (Israel). Mas o Novo Testamento tem uma Nova Aliança, trazida na morte e ressurreição de Cristo.
Todas as Leis foram substituídas por ensinamentos maiores na Nova Aliança. Uma pessoa que que não tem pensamentos adúlteros (Lei nova) jamais adulterará (Lei antiga). Similarmente, um Dia de Descanso foi substituído por um Descanso no Salvador. A antiga Lei foi substituída por uma versão melhor.
Normalmente, a palavra usada para o Sabbath em grego é Sabbaton. Porem, em Hebreus 4 é usada a palavra Sabbatismos. Essa palavra significa “descanso ‘sabbatico’”. Não é especificado um dia aqui. Isso porque Cristo é nosso Sabbath. A passagem nos diz que “hoje”, podemos entrar no descanso de Deus. Vivendo em Cristo, vivemos no descanso de Deus.

Êxodo 34:28 diz que os Dez Mandamentos eram palavras da aliança. Porem, Hebreus 8:7-13 diz que a primeira aliança foi substituída.

Colossenses 2:16-17 fala apenas das festas anuais?


A resposta é... Espera um pouquinho... Não. Sinto muito, mas esse versículo é direto e decisivo.

Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. - Colossenses 2:16-17

A interpretação de que esse verso fala apenas dos sábados anuais e mensais é impossível. Paulo aqui esta usando uma formula que aparece no antigo testamento decrescente ou crescente:

“E para oferecerem os holocaustos do Senhor, aos sábados, nas luas novas, e nas solenidades, segundo o seu número e costume, continuamente perante o Senhor” - 1 Crônicas 23:31

“Eis que estou para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para a apresentação contínua do pão da proposição, para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados e nas luas novas, e nas festividades do Senhor nosso Deus; o que é obrigação perpétua de Israel.” - 2 Crônicas 2:4

“Também sobre nós pusemos preceitos, impondo-nos cada ano a terça parte de um ciclo, para o ministério da casa do nosso Deus; Para os pães da proposição, para a contínua oferta de alimentos, e para o contínuo holocausto dos sábados, das luas novas, para as festas solenes, para as coisas sagradas, e para os sacrifícios pelo pecado, para expiação de Israel, e para toda a obra da casa do nosso Deus.” - Neemias 10:32-33

Acabarei com a sua alegria: suas festas anuais, suas luas novas, seus dias de sábado e todas as suas festas fixas.” - Oséias 2:11

“Será dever do príncipe fornecer os holocaustos, as ofertas de cereal e as ofertas derramadas nas festas, nas luas novas e nos sábados, em todas as festas fixas da nação de Israel. Ele fornecerá as ofertas pelo pecado, as ofertas de cereal, os holocaustos e as ofertas de comunhão para fazer propiciação em favor da nação de Israel.” - Ezequiel 45:17

Essa formula pode aparecer como festas (anual), luas novas (mensal) e sábados (semanal) ou sábado (semanal), lua nova (mensal) e festas (anual). Sempre se referindo aos três. Se fosse as festas anuais, geraria uma repetição inútil, sendo “festas, luas novas e festas”. Não apenas isso, mas a palavra usada no grego é diferente da palavra para as festas anuais. Até mesmo Samuele Bacchiocchi reconheceu isso:

“O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia interpreta o sabbatwn-dias de sábado” como uma referência aos sábados cerimoniais anuais e não ao sábado semanal (Lev. 23:6-8, 15, 16, 21, 24, 25, 27, 28, 37, 38). É verdade que tanto o sábado e o Dia da Expiação em hebraico são designados pela expressão compostas shabbath shabbâthôn, significando “um sábado de descanso solene” (Êxo. 31:15; 15:2; Lev. 23:3, 32; 16:31). Porém esta expressão está traduzida na Septuaginta pela expressão grega composta “sabbata sabbatwn” que é diferente do simples “sabbatwn” encontrado em Colossenses 2:16. É, portanto, lingüisticamente impossível interpretar este último como uma referência ao Dia da Expiação ou a quaisquer outros sábados cerimoniais uma vez que estes nunca são designados simplesmente como “sabbata”. [...] Determinar o significado de uma palavra exclusivamente por suposições teológicas, ao invés de fazê-lo por evidências lingüísticas ou contextuais, é contra os cânones da hermenêutica bíblica. [...] Uma outra indicação significativa insurgindo contra os sábados cerimoniais, é o fato de que estes já estão incluídos na palavra “heorte-festival” e se “sabbatwn” significasse a mesma coisa haveria uma repetição desnecessária. Estas indicações obrigatoriamente mostram que a palavra “sabbatwn” como está utilizada em Colossenses 2:16 não pode referir-se a quaisquer dos sábados anuais cerimoniais.” [Samuele Bacchiocchi, “From Sabbath to Sunday”, pp. 213-214 (ênfase adicionada)]

Agora todo o contexto de Colossenses 2 implica que Paulo esteja falando de leis cerimoniais. Ja que o sábado semanal esta claramente sendo mencionado no fim do v.16, então Paulo não apenas esta dizendo que ele é uma sombra de Cristo, mas também que é uma cerimonia. 
Bacchiocchi tenta contornar essa conclusão, de que os sábados semanais foram abolidos nesse versículo, com uma nova teoria, dizendo que esses versos falam da perversão da guarda do sábado, e ele da certa evidencia para essa interpretação.
O grande problema aqui é que no verso seguinte diz que essas são sombras de Cristo – coisas que apontavam para sua vinda. Como Greg Taylor argumenta:

“O problema bíblico com a teoria de Bacchiocchi é que o texto continua descrevendo esses sábados e festas como ‘sombras de coisas futuras’, a ‘realidade de Cristo’. Esses feriados religiosos, incluindo o sabbath, eram símbolos apontando para Jesus. Eles eram uma prefiguração tipológica de Jesus. Como pode a perversão de um símbolo ser uma sombra ou prefiguração de Cristo? Como pode a perversão prefigurar? Isso não faz sentido. A interpretação mais razoável para o texto é a de que o Sabbath esta incluído no sistema cerimonial/sacrificial que foi cumprido em Cristo![Greg Taylor, “Discovering the New Covenant: Why I Am No Longer a Seventh-day Adventist”, Capitulo 7, online em Sabbatismos.]


E Robert D. Brinsmead diz:

“[Bacchiocchi] argumenta que Paulo não esta condenando a guarda do Sábado, mas apenas a sua perversão por restrições Judaicas e astrologia oriental. Aqui Bacchiocchi esta parcialmente correto. [...] Paulo não condenava os Cristãos Romanos que guardavam o Sábado para o Senhor (Romanos 14:5, 6). O apostolo, porem, não aprova fazer a celebração do Sábado uma lei que prende a consciência. Paulo não apenas diz aos Colossenses que as regulações pervertidas dos ensinamentos falsos foram pregados na cruz. Ele arranca toda a raiz debaixo dos pés deles dizendo que até mesmo o decreto divino a respeito do Sábado foi cancelado.”


“Além disso, é o Sábado do Antigo Testamento, e não os Sábados pervertidos dos Judeus, que são uma ‘uma sombra de coisas que viriam’. Paulo não esta meramente falando que a perversão Judaica do Sábado não deve prender na consciência. Ele diz que o Sábado que é uma sombra de Cristo não deve prender mais a consciência.” [Robert Brinsmead, “Sabbatarianism Re-examined”, Capitulo 5, online em exadventist.com]


A Defesa de Ron du Preez: Colossenses 2:16 fala ou não dos sábados semanais?


(Essa parte é um pouco complicada de entender, mas espero ter deixado um pouco compreensível)
O teólogo Adventista Ron du Preez tenta defender em seu livro “Judging the Sabbath: Discovering What can’t be Found in Colossians 2:16” que os “dias de sábado” em Colossenses 2:16 não podem ser os semanais. Ele foca toda a sua argumentação na formula “festas, luas novas e dias de sábado”.
Du Preez identifica certas “marcas” ligadas aos Sábados com “dia”. Mascas como “guarde”, “o” (artigo definido), “santo”, “meus” (de Deus). Se essas marcas (ele diz), não estiverem presentes, então o texto não fala do Sábado do sétimo dia. Ele conclui que os Sabbaths semanais são sempre chamados de “meus sábados”, “meu dia santo/sagrado”, e coisas do tipo. Enquanto os outros são sempre “seus sábados” ou “os sábados dela”.
Ele aplica esse método para o Novo Testamento, e faz comparações com a Septuaginta (Antigo Testamento grego), e descobre que quando a palavra “sabbata” é usada para designar o sábado semanal sempre tem o acompanhamento do numero do dia. Os “dias de sábado” em Colossenses 2:16 não possuem essas marcas linguísticas. Além disso, no hebraico de Levitico 23:32, o termo “shabbat” (sabbata no plural na Septuaginta) não se refere ao sábado semanal, mas sim ao dia da expiação.
Após essa analise, du Preez tenta responder ao problema da formula usada por Paulo pra falar das “festas, luas novas e dias de sábado”. Ao longo de toda a história da teologia cristã, essa formula foi conclusiva e sempre interpretada como uma sequencia para se falar de mais de um tipo de Sabbath.
Acima, você pode ver que existem vários exemplos dessa formula no Antigo Testamento. Du Preez argumenta que ou a sequencia é diferente da usada por Paulo e/ou ela acompanha um outro componente. E que, além disso, todas as passagens estão falando dos sacrifícios oferecidos neles, não na guarda. Ele diz que, um indicativo de que esses sábados são os cerimoniais, seria o termo grego para “festas” usado em Colossenses. Na Septuaginta, esse termo é normalmente traduzido do hebraico “hag”, que normalmente se refere à Pascoa, Festas dos Pães sem fermento, e o Tabernáculo. Em Colossenses 2:16, o grego deve se referir às mesmas festas, não outras.
Ele usa como evidência uma análise linguística de Oséias 2:11, usado acima para mostrar a formula:

Acabarei com a sua alegria: suas festas anuais [hag], suas luas novas [hodesh], seus dias de sábado [shabbat] e todas as suas festas fixas. - Oséias 2:11

Não apenas esse versículo possui a marca “seus” antes de “dias de sábado”, como também, aparentemente, esta escrito em uma forma de quiasma:

·         Hag – Festas de peregrinação
·         Hodesh – Luas Novas
·         Shabbat – Trombetas, Expiação, etc

Colossenses 2:16 parece fazer uso desse mesmo quiasma.

Resposta


Existem dois indicadores contextuais que indicam que Colossenses esta falando do Sábado semanal. Claramente, estou falando da formula usada. Como Jerry Gladson colocou:

“Colossenses 2:16 contêm dois indicadores contextuais de que [sabbaton] se refere ao Sábado do sétimo dia. [...] Esses indicadores são precisamente as palavras ‘festas... luas novas... sábados.” [Jerry Gladson, “Does the Letter of Colossians Refer to the Sabbath?”, em Dale Ratzlaff, “Sabbath in Christ”, Kindle pos. 7301]

Os sábados semanais, quando usados nessa ordem cronológica, estão pertencendo a um arranjo que significa observância anual, mensal, semanal e até mesmo diária, as vezes. Encontrar o “sabbaton” nessa ordem é uma evidência forte de que Colossenses se refere ao sábado anual. 
Muitas passagens fazem uso de indicadores contextuais para falar do sábado semanal. Por exemplo:

“Quando acabará a lua nova para que vendamos o cereal? E quando terminará o sábado para que comercializemos o trigo, diminuindo a medida, aumentando o preço, enganando com balanças desonestas e comprando o pobre com prata e o necessitado por um par de sandálias, vendendo até palha com o trigo?” - Amós 8:5,6

A expressão “luas novas” [hodesh] e o artigo antes de “sábado” [hashabbat] indicam que o sábado semanal esta sendo usado aqui. Isaías também diz:

O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas novas [hodesh], sábados [shabbat] e reuniões! Não consigo suportar suas assembleias cheias de iniquidade. Suas festas da lua nova e suas festas fixas [mo’ed (“heorte” na Septuaginta)], eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais! - Isaías 1:13,14

Apesar de não possuir uma forma sequencial, o texto fala de festas anuais, mensais e semanais, tornando clara a menção ao sábado semanal.
Sobre a formula usada sequencialmente no Antigo Testamento e por Paulo, Gladson avalia o argumento de du Preez dizendo:

“du Preez falha em considerar o uso histórico desta formula. A tradição não pula imediatamente da era pós-exílio para o primeiro século e Judaísmo primitivo e a igreja Cristã, mas na verdade se move pelo período Helenístico e a era da Roma primitiva antes de chegar ao Novo Testamento. Um corpo considerável da literatura Judaica desse período não é conhecida por nós, e permite que nós tracemos com grande claridade o uso desse assunto antes de chegar a forma encontrada em Colossenses 2” [Ibid, Kindle pos. 7064]

Das passagens com a formula avaliadas por du Prezz, apenas Ezequiel 45:13-17 e Oséias 2:11 são do inicio do período pós-exilio de Israel (5 a.C.). As outras são de um período mais tardio. 1 Crônicas 23:31; 2 Crônicas 2:4; 8:13; 31:3 e Naum 10:33 são todas pós-exilio.
A palavra hebraica “mo’ed” é equivalente a palavra grega “heorte”. Ela sempre se refere a todas as festas anuais. A formula toda é colocada em outras palavras em Numeros 28-29

Dá ordem aos filhos de Israel, e dize-lhes: Da minha oferta, do meu alimento para as minhas ofertas queimadas, do meu cheiro suave, tereis cuidado, para me oferecê-las ao seu tempo determinado [mo'ed (heorte em grego)]. - Números 28:2

Após uma grande explanação das festas cerimoniais (o sábado semanal também é mencionado) e dos sacrifícios, o texto encerra assim:

Além dos votos que fizerem e das ofertas voluntárias, preparem isto para o Senhor nas festas [mo’ed (heorte)] que lhes são designadas: os holocaustos, as ofertas de cereal, as ofertas derramadas e as ofertas de comunhão. - Números 29:39

Du Preez rejeita esse texto por que o autor fala muito sobre os sacrifícios que devem ser feitos. Porem, como Gladson colocou, “[a] passagem com certeza classifica dias que em que esses sacrifícios devem ser oferecidos em uma ordem cronológica: diariamente, semanalmente, mensalmente e anualmente” ´[ibid, Kindle pos. 7090]
O texto de Números 28-29 fala das ofertas diárias (Números 3-8), depois das que devem ser feitas nos sábados semanais (28:9-10), depois as festas mensais (11-15) e depois fala uma completa lista de todas as observâncias anuais, com exceção apenas da Festa do Purim e do Hanukkah, que ainda não haviam sido dados aos israelitas.
Outra passagem que claramente coloca essa ordem em evidência é 1 Crônicas 23:31:

Sempre que holocaustos fossem apresentados ao Senhor nos sábados [sabbaton], nas festas da lua nova [neomenia] e nas festas fixas [heorte]. Deviam servir regularmente diante do Senhor, conforme o número prescrito para eles. - 1 Crônicas 23:31

As palavras na Septuaginta são as que eu coloquei ali. Note que a palavra para festas fixas (quer dizer, as anuais) é “heorte”.
Nessas duas ultimas passagens que vimos (Números e 1 Crônicas), a palavra para as festas anuais é “heorte”. Ele engloba todas as festas anuais. Adivinha qual palavra é usada em Colossenses 2:16? Exatamente: Heorte
Agora, uma das passagens usadas por du Preez é Levítico 23:32. Ironicamente, todo o texto de Levítico 23 refuta todo o argumento dele. O texto claramente distingue entre as festas anuais e os dias de sábado semanal. E, adivinhe de novo, a palavra hebraica para as festas é... mo’ed (“heorte” em grego). Robert Sanders, William Hohmann e Kerry Wynne explicam o argumento de du Preez: 

“Du Preez acredita que ele encontrou evidencia adicional de que Paulo poderia não estar se referindo ao Sábado semanal em Colossenses 2:14-17 na forma de um suposto uso do padrão de uma palavra que ele encontra em Levítico 23 – um capítulo em que Deus explica os vários tipos de dias sagrados que Ele deu a Israel. Ele ve duas supostas distinções importantes: (1) entre os ‘sabados do SENHOR’ e as ‘festas do SENHOR’. (2) Entre as festas que envolviam os sacrificios onde os Judeus iriam se sentar e comer (os ‘chags’) e todos os dias de festa que não envolviam comer ou que se referiam ao Sábado semanal do Decalogo (os ‘moeds’)” [Truth or Fables, http://truthorfables.com/WREAK_HAVOC.pdf , p. 12]

Depois disso, eles citam um teólogo anônimo, que diz:

“Eu quero mencionar como um certo ASD tentou ler uma distinção que simplesmente não existe dentro do texto por causa da distinção que Deus fez duas vezes no capítulo. Ele tentou fazer uma distinção categórica entre as palavras Hebraicas ‘chag’ e ‘mo’ed’ usadas no texto. Os ‘chags’ seriam as festas que envolviam sacrifícios onde os Judeus iriam se sentar para comer. Os ‘mo’eds’ seriam todo o resto que não envolve comer, significando ‘festas fixas’ e também usado para resumir todos os dias alem dos ‘sábados do SENHOR’ no verso 38. [...]”
“A razão para as observações do ASD das diferenças nesses dois termos hebraicos serem irrelevantes no debate é por causa da forma como Deus usou o termo ‘mo’ed’ para resumir todos esses dias que não foram classificados como ‘os sábados do SENHOR’. [...]’
“Quando Deus terminou de falar com Moisés, Moisés fez exatamente o que Deus o havia ordenado no verso 44 que diz, ‘E Moisés declarou aos filhos de Israel as festas (mo’ed) do SENHOR’. Note que a palavra ‘chag’ não é usada nesse verso. Também note que os ‘sábados do SENHOR ja haviam ido dados a eles antes desse capítulo, então Moisés deu a eles todas essas coisas que eram ‘alem dos sábados do SENHOR’ usando o termo ‘mo’ed’ para resumir toda essas coisas.”
“Tudo fora os sábados do SENHOR em Levítico 23 foi incluído no termo ‘heorte’ (festas) em Colossenses 2:16, assim como todas as coisas foram incluídas no termo Hebraico ‘mo’ed’ (festas) em Levítico 23:44 [...]”
“Quando você passa por Levítico 23 com um pente fino, ele deixa claro que não existe nada para o termo [português] ‘dias de sábado’ em Colossenses 2:16 que possa significar qualquer outra coisa alem do sábado do sétimo dia.”
“Verso 16 termina dizendo ‘contem cinqüenta dias, até um dia depois do sétimo sábado, e então apresentem uma oferta de cereal novo ao Senhor.” Agora, note: o termo hebraico usado nesse texto é o ‘sábado’ mencionado desde o verso 4 até aqui, que é ‘shabbath’. Eu digo isso porque o próximo uso da palavra [portuguesa] ‘sábado’ não vai ser o mesmo termo Hebraico, mas o termo shabbaton, que tem um significado diferente de shabbath.”
“O próximo termo para ‘sábados’ esta no verso 24 como shabbathon, se referingo ao memorial das trombetas.”
“O unico dia que usa o termo Hebraico [shabbath] alem do Sábado do sétimo dia nesse capítulo é o Dia da Expiação no verso 32 [...] Esse é o unico outro dia alem do Sábado do sétimo dia em que ‘não trabalhar’ era feito”
“Isso não poderia ser usado para significar os ‘dias de sábado’ em Colossenses 2:16 porque ele ja foi mencionado na palavra hebraica ‘heorte’ no mesmo verso, incluindo ele assim como incluiu em Levítico 23:44 no Hebraico ‘mo’ed’.” [Citado por Truth of Fables, ibid, pp. 12, 13 e 14]

O teólogo anonimo também fornece uma lista de todos os usos da palavra “sabbaton” no Novo Testamento e mostra que ela só pode significar "sábados" ou "semana":

Mateus 12:1; 12:2; 12:5 (usado suas vezes para se referir ao sábado semanal); 12:8; 12:10; 12:11; 12:12; 24:20 e usado suas vezes (primeiro como sábado semanal e depois como a palavra “semana”) em 28:1
Marcos 1:21; 2:23; 2:24; 2:27 (usado suas vezes para o sábado seminal), 2:28; 3:2; 3:4; 6:2; 16; usado como “semana” em 16:2 e 16:9
Lucas 4:16; 4:31; 6:1; 6:2; 6:5; 6:6; 6:7; 6:9; 13:10; 13:14; 13:15; 13:16; 14:1; 14:3; 14:5; 18:12 (“semana”); 23:54; 23:56; 24:1 (“semana”)
João 5:9; 5:10; 5:16; 5:18; 7:22; 9:14; 9:16; 19:31; 20:1 (“semana”); 20:19 (“semana”)
Atos 1:12; 13:14; 13:27; 13:42; 13:44; 15:21; 16:13; 17:2; 18:4; 20:7 (“semana”)
1 Corinthians 16:2 (“semana”)
A o ultimo uso da palavra “sabbaton” é em Colossenses 2:16. É impossível que essa palavra esteja se referindo a outra coisa alem dos sábados semanais.
Com essa análise, o teólogo anonimo conclui:

“Concluindo, eu gostaria de resumir minha posição. Eu tenho varias testemunhas escriturais (mais de 50) dizendo que os ‘dias de sábado’ em Colossenses 2:16 é, de fato, o sábado do sétimo dia. Eu cobri a definição do termo Grego, sabbaton, e como ele é usado consistentemente para toda instancia mencionando o sábado do sétimo dia no Novo Testamento – toda a escritura usando esse termo fala apenas do sábado do sétimo dia ou da palavra comum semana. Toda a escritura usando esse termo é unanime até chegar em Colossenses 2:16 onde o termo aparece pela ultima vez.”
“Eu examinei todo argumento contra este fato, incluindo o argumento usando Levítico capítulo 23 como prova contra isso, quando na verdade ele prova que os dias de sábado em Col. 2:16 são de fato o sábado do sétimo dia.”
“Se, por nenhuma outra razão, não há nada maisque possa significar ja que todo o resto esta incluso no termo Grego ‘heorte’ usado como ‘festividades’ [em traduções do português], assim como todo o resto esta incluso em Levítico 23 no termo Hebraico ‘mo’ed’ usado para as ‘festas’ [...]. A unica coisa que não foi dada por Moisés em Levítico 23:44 são os ‘sábados do SENHOR’. Todo o resto alem dos sábados do SENHOR e Levítico capitulo 23 é dado no verso 44 definitivamente; então dando prova infalível de que os sábados do sétimo dia são de fato os dias de sábado mencionados em Colossenses 2:16” [ibid, p. 14]

E quanto ao argumento de que Paulo esta citando Oséias 2:11? Apesar da sequencia cronológica ser a mesma, não existem indicadores de que seja uma citação direta. Alem disso, no Hebraico existe uma pequena pausa antes dos “festivais”. Como Gladson colocou:

“É interessante notar a forma como os escribas Judeus acentuaram o Hebraico em Oséias 2:11 de forma que deve ser lido: ‘acabarei com a sua alegria [pequena pausa]: suas festas anuais, suas luas novas, seus dias de sábado [pausa] e todas as suas festas fixas.’ Nessa leitura, a ultima clausula, ‘e todas as suas festa fixas’, é uma frase reiterando as observâncias mencionadas anteriormente que ocorrem anualmente, mensalmente, e semanalmente, sendo então uma expressão resumo.” [Jerry Gladson, “Does the Letter of Colossians Refer to the Sabbath?”, em Dale Ratzlaff, “Sabbath in Christ”, Kindle pos. 7192]

Mesmo se admitirmos que Paulo está citando Oséias, isso não significa que a definição das palavras se aplicam. Já que era comum os escritores do N.T. re-interpretavam passagens do A.T., dando um novo significado.
Também não é verdade que o uso de “seus sábados” se refere aos cerimoniais e “meus sábados” se refere aos semanais. Para mostrar que esse não é o caso, Bill Hohmann usa as passagens em Levítico 26:35; Amós 8:10; Lamentações 1:7; Oséias 2:1-13; Êxodo 32:7; Oséias1:1-9; Isaías 50:1; 1:11-15 e conclui que Deus se refere a “Meus Sábados” quando Seu povo esta espiritualmente perto d’Ele e “Seus sábados”, etc. quando Seu povo esta distante.
Podemos concluir então que: Primeiro, a formula (anual, mensal, semanal) existe. Segundo, a palavra “heorte” usada por Paulo ja engloba todas as festas anuais. E por fim, dado o fato de que “sabbaton” só pode significar “sábado semanal” ou “semana”, o contexto implica, necessariamente, que Paulo esta falando de todas as festas sabáticas.


Coisas futuras?



Uma ultima tentativa que vou avaliar, é a interpretação de que essas são “sombras das coisas futuras”, não passadas, e, portanto, serão sombras apenas na segunda vinda de Cristo.
O problema aqui é que essa interpretação contradiz toda a teologia sabatista. Eles dizem que depois da segunda vinda de Cristo todos vão guardar o sábado no Milênio. Porem, se Colossenses diz que no Milênio essas serão sombras de Cristo, toda a teologia sabatista esta arruinada também. 
Um outro malabarismo para tentar escapar dessa conclusão, é dizer que essas coisas (festas, luas novas e sábados) são sombras de coisas futuras, de forma que, indicam que são projeções de Cristo e serão observadas no futuro. Eles também dizem que o "não deixe que julguem", se refere a julgar os Cristãos por guardarem o sábado direitinho, enquanto os que pervertiam o sábado zombavam deles por isso. Portanto, devemos guardar o sábado direitinho pois guardaremos no futuro.
Existem vários problemas com essa interpretação. Primeiro, um adventista usando isso teria que dizer que as festas anuais e as luas novas ainda deveriam ser observadas. Coisas que eles não fazem. Segundo, o livro de Hebreus nos diz exatamente o que “sombras” significam. Elas não são “projeções” que vem de Cristo, mas sim prefigurações. Imagens não claras que agora vemos o real significado:

Todo sumo sacerdote é constituído para apresentar ofertas e sacrifícios, e por isso era necessário que também este tivesse algo a oferecer.
Se ele estivesse na terra, nem seria sumo sacerdote, visto que já existem aqueles que apresentam as ofertas prescritas pela lei.
Eles servem num santuário que é cópia e sombra daquele que está nos céus, já que Moisés foi avisado quando estava para construir o tabernáculo: "Tenha o cuidado de fazer tudo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte".
Agora, porém, o ministério que Jesus recebeu é superior ao deles, assim como também a aliança da qual ele é mediador é superior à antiga, sendo baseada em promessas superiores.
Hebreus 8:3-6

A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar.
Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos? Pois os adoradores, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais se sentiriam culpados de seus pecados.
Contudo, esses sacrifícios são uma recordação anual dos pecados,
pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados.
Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste
Hebreus 10:1-5

Note que "sombras" não pode se referir apenas aos sacrifícios também. Ja que o texto refere-se ao santuário como uma sombra também (Hb 8:5).
De fato, note que o texto de Colossenses diz, "mas o corpo é Cristo", no presente. Isso indica que os dias santos eram algo que prefigurava Cristo, onde encontramos nosso descanso e o sacrifício único. "Coisas futuras" refere-se ao fim desta era, quando teremos pleno descanso com Cristo.
Alem disso, é altamente improvável que os Gentios convertidos estivessem preocupados com o que os pagãos pensassem sobre sua comida e dias sagrados. Os pagãos teriam muito mais motivos para zombar da moralidade cristã, como por exemplo o conceito radical de casamento para a vida toda ou os relacionamentos exclusivamente heterossexuais.
O capítulo um de Colossenses também sugere que a visão que Paulo tinha dos Cristãos de Colosso era de que eles tinham uma fé bem estabelecida. O ministério de Paulo parece ser focado no Evangelho e na proteção contra os Judaizantes. Paulo entendia que as idéias dos Judaizantes (e não do Judaísmo) eram similares aos ensinamentos dos pagãos, já que ambos ensinavam coisas humanas e ambas ensinavam que humanos poderiam ser salvos por obras.
Note também que, para um Judeu, as festas, luas novas e os dias de sábado eram uma realidade, não meras sombras. Então, não haveria sentido Paulo dizer que essas coisas ja eram sombras e que o corpo é Cristo, pois se os dias sagrados dos Judeus continuassem ativos, eles não seriam sombras. Seriam o corpo com Cristo.
Também não da pra interpretar esse verso dizendo que devemos guardar pois no futuro guardaremos. Suponhamos, pelo bem do argumento, que o texto esta dizendo que devemos guardar o sábado. Como esses sábados são sombras de coisas futuras, então quando as "coisas futuras" chegarem, eles deixarão de ser requeridos, e isso iria contradizer a teologia sabatista. 
E por fim, nós sabemos que essas ordenanças (anuais, mensais e semanais) prefiguravam Cristo pois seu significado espiritual é mostrado paralelamente com o significado de Cristo e Seu sacrifício. Como William Hohmann argumenta:

“... esses dias prenunciavam a Cristo! Cristo é a nossa Páscoa, e nós não temos mais o dia ou o sacrifício. A festa associada com a Páscoa, os Dias dos Pães sem Fermento tinham um entendimento Espiritual em relação a Cristo onde alguém agora ‘come’ do pão da sinceridade e verdade, e não mais o pão físico. Cristo é a nossa Páscoa, e não mais o cordeiro. Cristo é o Cordeiro de Deus; a substancia, e não o cordeiro que representou Ele na Páscoa. Em João capitulo seis Jesus vai longe o bastante para dizer que aquele que come a sua carne e bebe do seu sangue possui vida eterna! Podemos ver o paralelo com a Páscoa?”
“Trombetas agora anunciam o retorno de Cristo. A festa dos Tabernaculos não é mais moradia em uma moradia temporária, mas agora moramos com o próprio Cristo em Seu descanso.” [William Hohmann, “Sabbath Refutations”, p. 8]

Colossenses e a Alegoria da Caverna de Platão?


O que Paulo esta fazendo em Colossenses é uma referência a Alegoria da Caverna, de Platão. No conto, Platão diz que haviam homens em uma caverna, de costas pra entrada. Eles só conseguiam ver as sombras do que passava na frente da entrada. Mas o mundo de fora, que causava as sombras, é a verdade. As sombras eram apenas sombras de corpos que eram a realidade.
Agora, Paulo, como bom conhecedor de filosofia grega (Atos 17) e com a igreja de Colosso tendo contato com os pagãos e a filosofia gnóstica, vemos como é plausível colocar a interpretação da alegoria da caverna no texto.
As "festas, luas novas e sábados" são as sombras da verdade. São sombras do descanso que temos em Cristo. "Mas o corpo é Cristo". Aquele que permanece olhando para essas sombras não consegue enxergar a Verdade. O corpo que causa essas sombras.
Aqui vão os pontos principais: Na Alegoria da Caverna, os homens estavam de costas pra entrada. Ou seja, de costas pro mundo real. De costas pra Verdade. Apenas olhando para as sombras. No caso de Colossenses 2:16-17, note que esses descansos dão descanso temporário. Estão sempre em algum tempo curso. Mas, em Cristo temos descanso (Mateus 11:29).

E Gálatas 4:9-11?


Outra passagem de Paulo que indica que essas observâncias judaicas não são mais importantes para os Cristãos, vem de Gálatas:

Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez?
Vocês estão observando dias especiais, meses, ocasiões específicas e anos!
Temo que os meus esforços por vocês tenham sido inúteis.
Gálatas 4:9-11

Paulo com toda a certeza esta falando de todas as observâncias sabáticas. Isso pode ser concluído por quatro motivos: Primeiro, todo o contexto da carta aos Gálatas fala de como eles estavam observando a antiga lei. Paulo diz que agora somos salvos pela graça. Segundo, sempre que Paulo usa as palavras “princípios elementares” se refere a coisas da antiga aliança. Terceiro, os Gálatas estavam observando dias, meses, ocasiões e anos, os colocando na lei da antiga aliança. E por fim, essas coisas estão listadas na ordem ascendente da formula que era usada para falar de todas as observâncias sabáticas.

Isaías 66:23 diz que na Nova Jerusalém guardaremos o sábado?


E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. - Isaías 66:23

Se eu digo que descanso desde um dezembro ao outro, eu não quero dizer que descanso apenas em dezembro.

Apocalipse 14:7, 12 diz que devemos guardar o sábado?


“Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. [...] Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”  - Apocalipse 14:7, 12

Existe um principio básico de interpretação bíblica que diz o seguinte: Se você quer saber o que um autor quer dizer com uma palavra, então veja como esse autor usou essa palavra. Os mandamentos aqui não são os Dez Mandamentos. A palavra em Grego para os Dez Mandamentos é “Nomos”, mas aqui é usada a palavra “Entele”, que significa “Ensinamentos”. E o próprio João nos diz quais são esses ensinamentos:

“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus, e todo aquele que ama o Pai ama também ao que dele foi gerado. Assim sabemos que amamos os filhos de Deus: amando a Deus e obedecendo aos seus mandamentos. Porque nisto consiste o amor a Deus: obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados.” - 1 João 5:1-3

Em 1 João 3, João nos diz quais são esses “mandamentos”:

“Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada. E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou.” - 1 João 3:21-23

Nas dez vezes que João usa esse termo no Evangelho de João, ele nunca se refere a Torá (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). E quase sempre Jesus diz “aquele que guarda os MEUS mandamentos”. Seus novos mandamentos que estão sendo dados. E sempre que a palavra “Entele” é usada em 1 João, se refere ao Novo Mandamento do Amor.

"Deus é imutável"


Deus ser imutável não significa que Ele não tenha criado um plano que passa por mudanças ja planejadas. De fato, mais de 600 leis da Antiga Aliança foram cumpridas em Cristo e os cristãos não precisam mais obedece-las. Você é circuncidado? 
Outra coisa a se manter em mente é que antes da criação do tempo, não havia sábado. Então, se o argumento tivesse qualquer poder, o sábado nem ao menos deveria existir.


"Jesus guardava o sábado!"


Claro, Ele era Judeu! Ele estava sob a antiga aliança! (Gálatas 4:4)
Também podemos argumentar que Jesus quebrou o Sábado. Antes que você diga “Ah, mas Jesus não pode quebrar a lei!”, tenha em mente que não há problema algum em quebrar leis cerimoniais. Jesus tocou um leproso:

E aproximou-se dele um leproso que, rogando-lhe, e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres, bem podes limpar-me.
E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo.
E, tendo ele dito isto, logo a lepra desapareceu, e ficou limpo.
E, advertindo-o severamente, logo o despediu.
E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
Marcos 1:40-44

Proibido em:

Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo.
Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.
Levítico 13:45,46

...quando tocar a imundícia de um homem, seja qualquer que for a sua imundícia, com que se faça imundo, e lhe for oculto, e o souber depois, será culpado.
Levítico 5:3

Jesus tocou um morto:

E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te.
E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.
E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer.
Marcos 5:41-43

Proibido em:

Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.
Ao terceiro dia se purificará com aquela água, e ao sétimo dia será limpo; mas, se ao terceiro dia se não purificar, não será limpo ao sétimo dia.
Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor; e aquela pessoa será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia.
Números 19:11-13

Então, e se Jesus quebrou o sábado? Seria ela uma lei cerimonial? Definitivamente, já que Jesus tem que ser moralmente perfeito, não pode quebrar leis morais. Jesus quebrou o sábado? Sim:

E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.
E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
João 5:16-18

Pode ser respondido que João esta falando do “sábado dos fariseus”, com diversas leis adicionais e mais rígidas. Porem, existem dois problemas com essa interpretação: Primeiro, quem esta dizendo que Jesus quebrou o sábado? João. E João é o que? João é judeu. Segundo, Jesus diz que esta trabalhando no sábado.

"Paulo foi à sinagoga no sábado!"


Era uma estratégia evangelística. Ele explica essa estratégia em 1 Corintios 10:

Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.
E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.
Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.
1 Coríntios 9:19-23

"Lei moral não pode ser abolida!"


Os documentos dos Dez Mandamentos foram escritos para Judeus. Esses documentos traziam as leis que os Judeus deveriam obedecer. Como marca de aliança, a lei do sábado estava no centro desses documentos.
Os cristãos não estão debaixo da antiga aliança. Portanto, o que se vale para a nova aliança são os ensinamentos ordenados por Cristo e a nova marca de aliança: A Santa Ceia. Mas mesmo ela não possui dia definido. O domingo foi escolhido pelos apóstolos por ser o dia da ressurreição de Jesus. Mas não existe "lei do domingo".
Por fim, não existe nenhuma parte nas scrituras que digam que os Dez Mandamentos são leis morais. Muito menos que o sábado seja uma lei moral. Devemos usar o bom senso para ver quais leis são morais. Como demonstrado acima, na análise de Colossenses 2:14-17, a lei do sábado esta mais de seis vezes associada a leis cerimoniais.

"Você só quer refutar a lei de Deus por que não a aguenta!"


Ad hominem. Vá estudar e me responder ao invés de tentar me atacar.

O sábado na criação


O mandamento da guarda do sábado foi feito no Monte Sinai:

O Senhor nosso Deus fez conosco aliança em Horebe.
Não com nossos pais fez o Senhor esta aliança, mas conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos.
Deuteronômio 5:2,3

E sobre o monte Sinai desceste, e dos céus falaste com eles, e deste-lhes juízos retos e leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons.
E o teu santo sábado lhes fizeste conhecer; e preceitos, estatutos e lei lhes mandaste pelo ministério de Moisés, teu servo.
Neemias 9:13,14

A palavra “shabbath” não aparece até Êxodo 16. Em Gênesis, lemos o seguinte:

Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há.
No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou.
Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.
Gênesis 2:1-3

Note a ausência de “tarde e manhã” nesse verso. O autor de Hebreus também diz:

Pois em certo lugar ele falou sobre o sétimo dia, nestas palavras: "No sétimo dia Deus descansou de toda obra que realizara".
E de novo, na passagem citada há pouco, diz: "Jamais entrarão no meu descanso".
Hebreus 4:4,5

Dale Ratzlaff notou três pontos principais em Gênesis: Os céus e a terra estavam completos, Adão e Eva não haviam pecado e o sétimo dia não possui "tarde e manhã". E, portanto, as condições do sétimo dia eram para ter continuado. Ele diz:

“[N]os podemos concluir que as condições e as características deste primeiro sétimo dia foram projetadas por Deus para continuar e que teriam continuado caso Adão e Eva não tivessem pecado. [...] Seria essa a razão do por que o relato de Gênesis omite o ‘e houve tarde e houve manhã, um sétimo dia’? [...] a essência do sétimo dia de criação e a condição que existia deveria ter continuado.”
“O que o relato de Gênesis quer dizer com ‘santificado’ no sétimo dia? O sentido básico é que ele foi separado como sagrado. Nesse caso, então, Deus estava separando o sétimo dia dos seis primeiros dias por um propósito especial. [...] Era um tempo de celebração e apreciar o trabalho de Suas mãos.” [Ratzlaff, “Sabbath in Christ”, Kindle pos. 377, 391]

Note também que tudo o que era proibido fazer no sétimo dia, era algo natural de Adão e Eva no Éden. Eles não precisavam “não fazer aquilo”, pois eles já não fariam por natureza. Como Ratzlaff colocou:

“Praticamente todas as proibições dadas em conexão com esses Sábados seria completamente sem sentido para Adão e Eva no primeiro sétimo dia antes do pecado entrar. Por outro lado, o que Israel foi comandado a fazer no Sábado teria sido feito naturalmente por Adão e Eva; portanto, nenhum comando teria sido necessário.” [Ibid, Kindle pos. 1281]

Não existe ordem alguma para guardar o sábado em Gênesis. O texto apenas diz que Deus deixou de trabalhar no sétimo dia e que Deus separou esse dia.
Um teólogo Adventista de nome Rubens me respondeu dizendo "Mas Deus ter santificado o sábado mostra que é um dia a ser guardado. Adão e Eva ja sabiam disso pois sabiam que era um dia santo. Da mesma forma que se eu pinto uma parede de vermelho, eu não preciso dizer que ela é vermelha, pois você ja sabe como e o que ela é."
Existem dois problemas aqui: Primeiro, não há evidências de Deus falando a Adão que "santificou" o sábado. De fato, se formos pela teoria preferivel, devemos concluir que a lei do sábado não foi anunciada até Êxodo 16, ja que dizer que Adão foi criado com um conhecimento a mais não narrado ou que Deus o disse isso, mas não foi registrado não tem embasamento bíblico e é muito mais ad hoc. Segundo, Deus deu ordem a Adão sobre algo que Ele ja sabia o que era: Não comer do fruto da arvore do bem e do mal. Esse fruto ja era "do mal", mas mesmo assim Deus teve que dar a ordem a ele de não comer do fruto. Então, esse argumento encontra algumas dificuldades e falta de evidência bíblica.

Conclusão


O grande ensinamento é que devemos adorar a Cristo. Não um dia. O sábado não é uma lei moral e não é requerida para a salvação, nem para aqueles que seguem Cristo. Cristo é o nosso descanso. Não precisamos mais trabalhar para sermos salvos.
A realidade de Cristo é muito maior do que imaginamos. Eu me sinto verdadeiramente mais próximo de Deus após sair da IASD. Como eu disse a Dale Ratzlaff em um email, la eu me sentia muito pressionado a defender e combater certos tipos de teologia. Voltar a comer carne de porco, não guardar o sábado, etc. Tudo isso me fez ver que a realidade de Cristo vai alem do físico. Muito além.
A frase combatente “me diga um versículo em toda a Bíblia que diga que devemos guardar o domingo” é um enorme espantalho. A verdade é que o descanso não foi pro Domingo, mas sim pra Cristo. O domingo foi apenas escolhido como memorial da Ressurreição. De fato, “Dia do Senhor” em latim é “Dominus”. É daí que vem o nosso “domingo”.
E isso não é uma idéia nova. A noção de que os primeiros cristãos escolheram o domingo, mesmo não tendo dia algum para guardar, já havia sido notada por João Calvino:

“Contudo, não foi sem alguma razão que os antigos escolheram o dia do domingo para pô-lo no lugar do sábado. Ora, como na ressurreição do Senhor está o fim e o cumprimento daquele verdadeiro descanso que o antigo sábado prefigurava, os cristãos são advertidos pelo próprio dia que pôs termo às sombras a não se apegarem ao cerimonial envolto em sombras.” [João Calvino, "As Institutas", p. 155]

Com todo o respeito a meus amigos Adventistas, está na hora de abandonarem Ellen White e ser Sola Scriptura. Vocês não devem mais temer o que Ellen White disse:

"Foi-me mostrada então uma multidão que ululava em agonia. Em suas vestes estava escrito em grandes letras: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta.” Perguntei quem era aquela multidão. O anjo disse: “Estes são os que já guardaram o sábado e o abandonaram.”" [Ellen White, "Primeiros Escritos", p. 37]

Pois se ela errou em uma de suas doutrinas centrais, imagine o que mais ela não errou. Se essa doutrina essencial do Adventismo não veio de Deus (pois contradiz a Bíblia), então de quem ela veio?

Bibliografia 


- William Hohmann, “Sabbath Refutations”, online em http://www.truthorfables.com/Sabbath%20Refutations.pdf (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Dale Ratzlaff, “Sabbath in Christ”

- John Reinsinger, “The Seventh-Day Sabbath was the Sign of the Mosaic Covenant!”, online em http://www.sabbatismos.com/the-sabbath/sign-of-the-mosaic-covenant/#sthash.OBC9WFu1.smQVEFQB.dpbs (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Ellen G. White, "O Grande Conflito"

- Samuele Bacchiocchi, “Crenças Populares”

- Wesley Ringer, “Should Christians Worship on Saturday or Sunday?”, online em http://www.godandscience.org/doctrine/lords_day.html (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Hebrew Roots Movement Debunked / Refuted – Sabbath Theology, online em https://www.youtube.com/watch?v=tXkkjhtuVi8&index=42&list=WL (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Greg Taylor, "The Sabbath in Colossians - Discovering the New Covenant: Why I Am No Longer a Seventh-day Adventist", online em http://www.sabbatismos.com/the-sabbath/the-sabbath-in-colossians/#sthash.2HFdkuiK.LfyQgVTo.dpuf (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Robert Brinsmead, “Sabbatarianism Re-examined”

- Truth or Fables, “DOCTORS BACCHIOCCHI, MACCARTY, AND DU PREEZ WREAK HAVOC WITH THE SABBATH AND ELLEN WHITE”, online em http://truthorfables.com/WREAK_HAVOC.pdf (acesso 19 de janeiro de 2016)

- Former Adventist Fellowship Conference, “Gary Inrig: Revelation 14—The Three Angels (FAF 2015)”, online em https://www.youtube.com/watch?v=SQ4UjKRyK5k (acesso 19 de janeiro de 2016)